Hoje, iniciamos nossa série de 3 matérias que visam trazer a essência da cidade através de sua memória, cultura e sabores. Se você gosta de história e quer conhecer Berlim, essa matéria é pra você!

Berlim é uma cidade que renasce a cada desafio histórico. A prática de aprender com os erros do passado a fim de não repeti-los é constantemente renovada na cidade que reúne história, diversidade cultural, conservadorismo e progressismo em convivência pacífica via de regra.

A cidade que já foi literalmente divida por um muro, hoje, abraça a integração de diferentes nacionalidades, culturas, crenças e religiões. Toda essa mistura cultural, claro, se transforma em matéria-prima riquíssima para o que chamamos de produção criativa, seja ela aplicada nas artes propriamente ditas ou incorporada aos deliciosos pratos servidos pelos restaurantes e lanchonetes da cidade. 

Com cicatrizes adquiridas ao longo de três grandes guerras (1ª Guerra Mundial, 2ª Guerra Mundial e Guerra Fria), pode-se dizer que Berlim respira história. Só de museus e memoriais, juntos, são mais de 170 espalhados pela cidade. Dentre eles, nós escolhemos alguns que não podem faltar no seu roteiro de viagem.

Ilha dos Museus

Como falar sobre museus sem falar da ilha “dedicada” a eles? Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1999, a Ilha dos Museus é parada obrigatória para quem não abre mão de programas histórico-culturais. Localizada no Rio Spree, a ilha comporta 5 museus mundialmente renomados: 

Museu Antigo (Altes Museum) – O mais antigo de seus vizinhos, construído na primeira metade do século XIX, abrigava inicialmente objetos da Realeza Prussiana. Hoje, o museu exibe peças da Grécia e Roma antigas.

Museu Novo (Neues Museum) – O museu reúne 9.000 objetos distribuídos por três grandes coleções históricas. Aqui, você viaja no tempo ao explorar a história da Europa e do Oriente Médio desde a Idade da Pedra até a Idade Média. Além do Busto de Nefertiti, atração principal do museu, a coleção de antiguidades egípcias ainda exibe várias outras peças que vão desde esculturas a uma enorme coleção de obras literárias, inclusive em papiro.

Antiga Galeria Nacional (Alte Nationalgalerie) – Também construído na segunda metade do século XIX, o museu chama bastante atenção devido à sua aparência altamente inspirada em templos antigos, valorizando suas imponentes colunas e escadarias. Aqui, você contempla obras do Classicismo ao Romantismo.

Museu Bode (Bode-Museum) Construído entre o final do século XIX e início do século XX, o museu carrega o nome de seu criador Wilhelm von Bode. Nele, podemos contemplar a Arte Bizantina, além de uma vasta coleção de moedas.

Museu Bode

Museu Pergamon (Pergamonmuseum) – Caçula, o mais novo dos museus já ocupa o posto de mais famoso da cidade. Seu nome faz referência ao Altar de Pérgamo (antigo templo grego construído para Zeus). Nele, você pode contemplar esculturas em tamanho real de algumas das principais construções da antiguidade, como o Portão do Mercado de Mileto, a Porta de Ishtar, a Fachada de Mshatta, além, é claro, do próprio Altar que dá nome ao museu.

Fora da Ilha dos Museus, a Topografia do Terror merece destaque pela sua importância histórica e social, principalmente se levarmos em consideração a crescente força da extrema direita na Alemanha e em outros países do mundo. Em 2010, em comemoração aos 65 anos do fim da Segunda Guerra, o local que havia assistido, entre 1933 e 1945, à tortura de mais de 15 mil opositores do governo nazista renasce como uma importante exposição de oposição ao horror. É impossível não se emocionar diante de tantos documentos e fotos que denunciam o verdadeiro terror vivido pelas vítimas do nazismo.

Topografia do Terror

Além dos Museus, os Memoriais se fazem bem presentes pela cidade, cumprindo bem o papel de reflexão sobre os erros do passado. Bem próximo ao Portão de Brandemburgo, você pode conhecer três memoriais que remontam o mesmo período, o da Alemanha nazista.

Memorial aos Judeus Assassinados da Europa – Maior dos três e inaugurado em 2005, o memorial propõe um espaço aberto de reflexão. A sensação de caminhar por entre os blocos é bem diferente da sensação que se tem ao observar a construção de fora. Ser “engolido” pelas construções robustas e padronizadas ao passo em que se perde a vista do horizonte, do futuro, da vida, da esperança é uma experiência, sem dúvida, bem intensa.

Memorial aos Judeus Assassinados da Europa

Memorial aos Homossexuais Perseguidos pelo Nazismo (Denkmal für die im Nationalsozialismus verfolgten Homosexuellen) Partindo do Memorial dos Judeus, do outro lado da rua, você encontra o Memorial dos Homossexuais Perseguidos pelo Nazismo. Construído em 2008, tinha como objetivo homenagear lésbicas e gays perseguidos e assassinados pelo governo nazista. Embora o nome do memorial se limite a “homossexuais”, a gente sabe (ou deveria saber) que as demais minorias discriminadas a partir da orientação sexual e/ou identidade de gênero devem ser igualmente lembradas. A construção é composta por um bloco único, semelhante ao do Memorial dos Judeus, com uma janelinha de vidro que nos permite assistir a um beijo homossexual, reproduzido em uma pequena tela.

Memorial aos Homossexuais Perseguidos pelo Nazismo

Memorial aos Sinti e Roma assassinados pelo nazismo (Denkmal für die im Nationalsozialismus ermordeten Sinti und Roma Europas)Construído em 2012, o Memorial homenageia os povos Sinti e Roma, popularmente conhecidos como Ciganos, que também foram perseguidos e assassinados pelo regime nacional-socialista. O memorial consiste em um tanque de água circular, calmo e silencioso, que exibe uma flor bem no meio, apoiada em uma estrutura sólida triangular.

Biblioteca Submersa (Versunkene Bibliothek)Em 1933, membros da união estudantil nazista alemã realizaram a primeira grande queima de livros, destruindo importantes obras da literatura. Livros de autores como Stefan Zweig, Heinrich Heine, Karl Marx e Kurt Tucholsky foram completamente queimados. Desde 1995, o memorial “Versunkene Bibliothek”, de Mischa Ullmann, nos lembra de tal episódio. A instalação é composta por prateleiras vazias que podem ser vistas a partir de um vidro transparente no chão, bem ao lado da citação de Henrich Heine, de 1820, que diz: “Isso foi apenas o começo; onde queimam-se livros, logo queimam-se pessoas”.

East Side Gallery – Localizada às margens do Spree e com 1316 metros de comprimento, a galeria ao ar livre é o “pedaço” contínuo mais longo do Muro de Berlim ainda de pé. Imediatamente após a queda do muro, 118 artistas de 21 países começaram a pintar a East Side Gallery, que assumiu oficialmente a função de galeria a céu aberto em setembro de 1990. Cerca de um ano depois, recebeu o status de memorial protegido.

Checkpoint Charlie – O Checkpoint Charlie remonta um dos antigos pontos de travessia (entre Berlim Oriental e Berlim Ocidental) utilizados durante a Guerra Fria. Ele não foi apenas local de “travessia pacífica”, mas também testemunha de inúmeras tentativas de fuga que ocorriam do lado Oriental para o lado Ocidental. Uma exposição ao ar livre conta algumas dessas histórias, umas de falhas e outras de sucesso.

Checkpoint Charlie

Gostou de nos acompanhar nessa viagem histórica? Quer conhecer tudo isso e muito mais pessoalmente? Fale com a gente através do contato@bordejo.com. Nós teremos prazer em te guiar! 🙂

Publicado por:Mavaraso