Berlim é a maior cidade da Alemanha e é totalmente multicultural. Aqui existem pessoas de todo o mundo e a culinária da região reflete isso com vigor. A cidade possui bastante história: já foi quase completamente destruída, reconstruída, dividida e foi palco de acontecimentos que fazem de Berlim um lugar incomparável! Por ser muito grande e com muitas atrações, recomendo passar uns bons dias por aqui para conhecê-la por completo.

Porém, nem todos conseguem dedicar o tempo necessário para aproveitar o máximo que puder. Diante de tantas atrações, é importante escolher os principais pontos turísticos para focarmos no que chamamos de “essencial”, ou seja, tudo aquilo que você não pode deixar de conhecer!

Alexanderplatz

O Relógio Mundial mostra a hora em 148 cidades pelo mundo. Está localizado na Alexanderplatz.

Essa é uma das praças mais famosas da cidade e começar seu passeio por aqui é o ideal, já que ela fica em uma área central e muito acessível. É fácil chegar de trem, metrô, ônibus ou tram (bondinho). Berlim é bem conectada e os transportes públicos são realmente eficientes.

Como muitas praças que continuam sendo famosas na Europa por terem sido importantes na Idade Média, esta também era relevante pois aqui funcionava um antigo mercado de gado, no qual era possível encontrar fazendeiros e mercadores. Posteriormente, a lã também passou a ser comercializada na região. A praça ganhou esse nome em homenagem a Alexander I, czar russo que visitou a cidade em 1805. Por volta dessa época as tropas prussianas também costumavam desfilar por aqui. 

Em 1920, Berlim era uma cidade que atraía muitos artistas (assim como nos dias de hoje) e podia ser considerada uma cidade bastante liberal para os padrões da época. Na Alexanderplatz já existiam bares e locais destinados ao público LGBTQIA+ (mas essa sigla ainda não existia), e a vida noturna era bastante pungente nos arredores. O mundo moderno e industrializado havia chegado e a arquitetura do local era belíssima e bastante diferente do que vemos hoje. Com a Segunda Guerra Mundial, a área foi bastante destruída e a riqueza da arquitetura de grande parte da Alemanha se perdeu. Com Berlim não foi diferente, e a Alexanderplatz pode até impactar nos dias de hoje pela simplicidade e da frieza do concreto, mas ela tem muita história pra contar.

Torre de TV

Com 368 metros, ela impressiona pela grandiosidade.

A Torre de TV (Fernsehturm) foi construída em 1969 durante o período da DDR (República Democrática Alemã). Ela foi feita pela necessidade da transmissão do sinal de TV no lado oriental e também para servir como um grandioso símbolo de poder da DDR. Não por acaso, a torre foi inspirada no satélite soviético Sputnik (lançado em 1957, ele foi o primeiro satélite artificial da Terra) e de fato se tornou um grande símbolo do lado oriental.

Algo que não estava previsto, porém, era que ela seria apelidada pelo lado ocidental de “a vingança do Papa”. Em determinados horários do dia, os raios do sol refletem na esfera espelhada e, por conta do ângulo, formam uma espécie de cruz no monumento. A União Soviética, ao tomar o poder em Berlim, resolve eliminar qualquer símbolo religioso existente na cidade e a cruz ironicamente criada pela esfera viraria piada. Vale muito a pena visitar a torre e apreciar a vista panorâmica. Também há um restaurante bastante famoso no qual é possível degustar uma comida incrível enquanto se aprecia a vista. Para reservar a entrada no restaurante, clique aqui.

Nikolaiviertel

Um dos meus locais favoritos em Berlim, muitas turistas deixam de passar pela Nikolaiviertel.

Ao entrar nessa região, parece que fomos transportados para uma pequenina cidade na Alemanha. Isso porque o local é muito gracioso e possui um toque de cidade antiga do interior, com casinhas históricas e diversos restaurantes e cafeterias. O bairro foi todo reconstruído em 1987 em homenagem aos 750 anos da cidade. No centro da Nikolaiviertel temos a  Igreja de São Nicolau (Nikolaikirche), que dá nome ao bairro, é do séc. XIII e funciona como um museu de esculturas sagradas. O bairro é cheio de lojas para turistas, então aproveite para comprar o clássico imã de geladeira e outras lembrancinhas da cidade. Outra dica especial é parar na Brauhaus Georgbræu (Cervejaria de São Jorge) e experimentar uma cerveja tradicional tirada da torneira na hora! A estátua de São Jorge que fica em frente à cervejaria ficava originalmente dentro do Palácio da Cidade, que foi danificado durante a Segunda Guerra e está sendo reconstruído em frente à Catedral, nossa próxima parada.

Catedral de Berlim

A Catedral de Berlim é belíssima e merece ser apreciada também por dentro.

A belíssima catedral da cidade (Berliner Dom) é protestante e está localizada na Ilha dos Museus (contamos mais sobre a Ilha aqui). É no séc. XV que a capela que se tornaria a catedral começa a ganhar cada vez mais relevância. No séc. XVIII ela já trazia traços da arquitetura barroca e, no século seguinte, o prédio passa por uma reforma, porém sem modificar suas características arquitetônicas similares às da Basílica de São Pedro, no Vaticano. No final do séc. XIX a catedral foi mais uma vez restaurada e ganhou o aspecto que possui hoje. O interior é belíssimo e, se você tiver disposição, também é possível subir a escadaria para ter uma vista completa dos arredores do prédio.

A catedral foi severamente danificada durante a Segunda Guerra e permaneceu fechada até 1993, quando foram iniciadas as restaurações que duraram até 2006. A tumba dos Hohenzollern (importante família da história alemã) está situada no subsolo do prédio, incluindo diversos membros da realeza da Prússia.

Uma dica: assista a um concerto dentro da Catedral. Aproximadamente 100 concertos acontecem todos os anos no local e são uma experiência única, independente da sua religião. Você pode assistir a apresentações de coral, orquestra e órgão. Clique aqui para saber mais sobre os concertos e comprar seu ingresso.

Palácio de Berlim

Em frente à Catedral está o Palácio de Berlim (Berliner Schloss), que está nas últimas etapas de sua construção. Quando a DDR assumiu o poder na Alemanha Oriental, decidiu-se demolir o Palácio de Berlim após ele ter sofrido extensos danos no fim da guerra. Em seu lugar seria inaugurado o Palazzo Prozzo, que seria a sede do parlamento da DDR. No lugar do antigo palácio barroco ergueu-se um prédio retangular que havia sido construído com 76 mil toneladas de aço, vidro e concreto. Ele foi inaugurado em 1976 e ficou conhecido por ser o edifício mais caro já feito na Alemanha Oriental. Os vidros vieram da Bélgica e os azulejos eram da porcelana de Meissen. Porém, muitos cidadãos se incomodavam com o símbolo do socialismo. Com a queda do Muro em 1989, ele passou a ser reconhecido novamente como Stadtschloss (Palácio da Cidade) e em 1990 foi fechado pois estava contaminado com amianto (uma substância tóxica). Em 2006 ele foi demolido por basicamente representar um passado que era odiado por muitos. Alguns artistas tentaram salvá-lo e chegaram a utilizar o Palazzo Prozzo para concertos e exposições para que parte da história de Berlim não fosse apagada, mas não adiantou. A demolição foi bastante criticada por muitos por ser considerada parte de um planejamento urbanístico que visava apagar o passado comunista da cidade. Independente das opiniões controversas o palácio foi feito com o dinheiro de doações e deverá ser finalizado no final de 2020.

Humboldt

A fachada da Humboldt.

A Universidade Humboldt (Humboldt-Universität zu Berlin) se situa na Unter den Linden, que é uma das avenidas de maior relevância de Berlim e cujo nome foi dado quando, no séc. XVIII, as primeiras tílias foram plantadas na região.

A Universidade foi fundada em 1810 por Wilhelm von Humboldt, que almejava criar uma instituição que estabelecesse a junção de pesquisa e ensino, ou o que seria mais conhecido posteriormente como teoria e prática. Esses princípios estabelecidos na universidade rapidamente seriam adotados em todo o mundo e inaugurariam, assim, uma nova era no avanço da pesquisa universitária. Entre suas conquistas há o impressionante número de 29 vencedores do Prêmio Nobel oriundas da instituição. Figuras importantes também já passaram por aqui, entre elas Otto von Bismarck, Heinrich Heine, Max Planck, Karl Marx e Albert Einstein, que inclusive lecionou na universidade. Em 2020 ela completa 210 anos de existência.

Bebelplatz

A Biblioteca Submersa, completamente vazia.

Também conhecida pelos berlineses como Opernplatz (Praça das Óperas), essa bela praça possui uma trágica curiosidade: foi aqui que em 10 de maio de 1933 ocorreu a grande queima de livros pelos nazistas. Logo em frente à Universidade Humboldt, a União Estudantil Nazista organizou a queima de livros de todo escritor que fosse considerado “não-alemão” ou judeu-alemão e muitas obras importantes foram queimadas naquele dia. Por conta deste triste acontecimento, temos hoje no local um memorial subterrâneo conhecido como a Biblioteca Submersa (Versunkene Bibliothek). Se olhar para o centro da praça você irá notar, sob o vidro de proteção, uma biblioteca de prateleiras brancas, completamente vazia. Na inscrição das placas próximas da Biblioteca Submersa há uma citação de Heinrich Heine: “Isso foi apenas um prelúdio; onde se queimam livros, no fim também se queimam pessoas”.

Gendarmenmarkt

A belíssima região foi fundada por refugiados calvinistas franceses.

Considerada por muitos como a praça mais bonita de Berlim, ela é composta por uma casa de concertos ao centro e duas igrejas nas laterais. O local foi fundado no séc. XVII por franceses calvinistas que buscavam refúgio na cidade. A praça tomou sua forma atual apenas sob o reinado de Friedrich II, que decidiu adornar o local com cúpulas altas. Atualmente a antiga igreja alemã abriga uma exposição sobre o Bundestag que conta a história do parlamento alemão. Já a antiga igreja francesa abriga uma exposição sobre os refugiados franceses que fundaram o local. 

Uma boa pedida é parar na Rausch Schokoladenhaus (que fica entre a Mohrenstraße e a Charlottenstraße) para tomar um chocolate quente, comprar alguns deliciosos chocolates e apreciar as esculturas feitas de chocolate!

Portão de Brandemburgo

Eu no Portão do Brandemburgo. @bordejoviagens

Chegamos ao grande protagonista da cidade. O Portão de Brandemburgo (ou Brandenburger Tor) é o principal cartão postal de Berlim. Construído no séc. XVIII, ele foi inspirado no portal de entrada da Acrópole de Atenas. A quadriga, que fica sob o portão, chegou a ser retirada por tropas napoleônicas e levada para Paris no início do séc. XIX, porém mais tarde, com a derrota de Napoleão para a Prússia, ela seria devolvida ao local original. 

Depois do fim da Segunda Guerra e durante a Guerra Fria, o portão ficou durante muito tempo numa área de exclusão por conta do Muro que isolava a parte oriental da cidade. Quando o Muro caiu, em 1989, 100 mil pessoas se reuniram aqui para comemorar sua queda. Em novembro de 2019 a queda do Muro de Berlim completou 30 anos e nós contamos curiosidades dos acontecimentos neste post aqui.

Uma ótima dica é tentar chegar ao Portão logo de manhã (se você visitar a cidade no verão), pois o número de turistas na região é menor e a foto certamente ficará mais “limpa” de gente. Se estiver pela cidade no inverno, não se esqueça de que nesta época do ano o dia costuma a amanhecer por volta de 8h e o sol se põe às 16h.

Parlamento Alemão

É possível visitar gratuitamente a cúpula do Reichstag

O Parlamento Alemão (Reichstag) é o símbolo da democracia alemã, não só porque é aqui que são tomadas as principais decisões do país mas também por toda a história do prédio. A construção é do final do séc. XIX e em 1933 o prédio é tomado por um incêndio. Logo foi apresentado um comunista como culpado, e esse argumento era justamente o que os nazistas precisavam para tomar o poder absoluto na Alemanha. Durante a Segunda Guerra o edifício é seriamente danificado, assim como boa parte da cidade, porém em 1945, já nos últimos momentos da guerra, ele se torna um alvo preferencial do Exército Vermelho. Durante o tour pela cúpula, inclusive, é possível observar os grafites e inscrições deixados pelos soviéticos que foram mantidos por seu valor histórico.

Após a Segunda Guerra, o governo da Alemanha Ocidental é transferido para Bonn e somente em 1961 o prédio passa por sua primeira restauração. Em 1999 ele é novamente restaurado e recebe a configuração atual. É possível visitar gratuitamente a cúpula de vidro do Reichstag e a visita dura cerca de 20 minutos, mas é necessário agendar com uma certa antecedência. Lá você encontra uma exposição permanente contando a história do prédio e também é possível acessar o restaurante rooftop do Reichstag, que conta com uma belíssima vista dos arredores! Clique aqui para agendar sua visita gratuita.

Memorial do Holocausto

O local é frio e labiríntico. Feito propriamente para causar desconforto.

Em 2005 foi inaugurado o Memorial do Holocausto ou Memorial dos Judeus Assassinados na Europa, bem ao lado do Portão de Brandemburgo. Trata-se de 2711 blocos de concreto de alturas diferentes sobre um piso desnivelado, deixando o visitante com uma sensação de desconforto e por vezes até vertigens. É possível transitar em meio aos blocos de concretos e se perder entre eles. Fique atento pois o Memorial continua no subsolo e conta a história dos judeus que foram massivamente perseguidos. A visita também é gratuita.

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Nosso passeio pela parte essencial de Berlim termina por aqui. Fique atento pois daremos continuidade às publicações do que mais pode ser feito na cidade. Se gostou, compartilhe com os amigos que querem conhecer a capital da Alemanha! 😉

Publicado por:Bruna Veronese

Apaixonada por viagens e determinada a inspirar mais pessoas a bordejar pela Europa.