No início de 2019, todos assistimos com muita tristeza um dos mais emblemáticos símbolos da arquitetura gótica, e Patrimônio Mundial da Humanidade, sendo destruído pelo fogo: a Catedral de Notre Dame. A partir de então, muito se falou sobre esse estilo arquitetônico que surgiu na Idade Média entre os sécs. XII e XV. Mas como ele surgiu e se manifestou na Europa? Hoje falaremos sobre a arquitetura gótica e sua relevância em todo o mundo. 

Por ter sido criada na França, inicialmente, a arquitetura gótica era denominada apenas como Obra Francesa e foi criada como uma forma de oposição à arquitetura românica, até então amplamente difundida pela Idade Média. Durante o Renascimento, ela passou a ser conhecida como gótica, porém a denominação era usada de forma pejorativa, já que neste período o estilo Gótico era visto como algo bárbaro e atrasado. O termo “gótico” provavelmente está relacionado aos Godos (ou Goten em alemão), que eram um dos antigos povos germânicos e foram responsáveis por muitas das invasões ao Império Romano. 

Era bastante provável que o pensamento renascentista taxasse a arquitetura gótica como “monstruosa” por ela ter sido basicamente pautada nos valores da Igreja Católica. As catedrais e igrejas eram grandiosas para a época, com portais e tímpanos feitos com inúmeros detalhes. Os homens deveriam se sentir, portanto, ínfimos perante a grandiosidade divina que se refletia através dos templos. Diz-se, portanto, que a arquitetura gótica era um trunfo da Igreja Católica. Já o Renascimento, período histórico posterior ao Gótico, se contrapunha aos valores medievais que colocavam Deus como o centro de tudo e, por isso, o termo “humanismo” foi adotado neste momento. O Humanismo era, desta forma, a ideia oposta aos ideais da Idade Média e se utilizava do antropocentrismo para colocar o homem como centro do universo e medida de todas as coisas. O racionalismo, mais um dos pilares dos ideais renascentistas, buscava retomar o empirismo e o conhecimento humano a respeito da matemática, além de várias outras ciências, assim como era na Antiguidade Clássica. 

Catedral de Milão, uma das referências do estilo na Itália.

Como a arquitetura gótica passou a ser uma referência em seu tempo, ela perdurou e acompanhou os avanços econômicos e o surgimento da burguesia na Europa. Por conta dessa influência, alguns edifícios não religiosos passaram a adotar o mesmo estilo arquitetônico. Em Bruges, na Bélgica, temos a Hospedaria, cujo prédio foi inspirado pela arquitetura gótica. O local se trata de um antigo centro de poder e riqueza, feito no início do século XV. O edifício era ocupado pelos membros mais distintos da sociedade. A torre alta e elegante da construção é, talvez, a parte mais marcante da Praça Jan van Eyck, onde se encontra. O local era bastante adequado para acolher os comerciantes e políticos de alto escalão e receber parceiros comerciais internacionais. O prédio ao lado, a Casa de Pedágio, também em estilo gótico, complementava perfeitamente as necessidades das operações comerciais. Precisamos mencionar ainda a praça que presta homenagem a Jan van Eyck, um pintor flamengo do período gótico que retratava a vida urbana e o nascimento da burguesia em sua época. Percebemos, portanto, que a praça é um local que acata as necessidades da burguesia que estava em ascensão, além de fazer homenagem ao pintor célebre da arte gótica que viveu e morreu em Bruges. O local retrata, por si só, toda a essência do período Gótico. Além disso, ainda em Bruges, temos também o Belfort, a Igreja de Nossa Senhora, a Prefeitura da cidade, e outros prédios relevantes que apresentam o mesmo estilo arquitetônico. 

Catedral de Colônia, Alemanha.

Na Alemanha também temos alguns prédios góticos bem marcantes. Entre eles, podemos citar a Catedral de Lübeck (cidade localizada no norte do país), a Jakobskirche (Igreja de São Tiago em Rothenburg) e diversos outros locais. Uma das construções mais importantes na Alemanha é a Catedral de Colônia, que iniciou sua construção no período Gótico mas foi concluída apenas no Neogótico. Ela demorou, portanto, 632 anos para ser finalizada. Contaremos mais sobre sua história em publicações futuras aqui no blog, então fique atento e cadastre seu e-mail para receber notificações de novos artigos.

Para reconhecer o estilo Gótico, precisamos atentar para seus detalhes:

Atenção para o arcobotante dando apoio à estrutura. Igreja de Nossa Sra. em Bruges, Bélgica.

A altura de suas igrejas é uma das principais características, pois elas costumam ter arcobotantes, que eram estruturas que davam apoio a paredes muito altas. Inicialmente, eles eram utilizados apenas como arcos de apoio, mas, com o tempo e evolução do estilo, eles foram se tornando parte da arquitetura e ganhando ornamentos no mesmo estilo de suas construções.

Exemplo do teto com abóbadas em cruzaria na Catedral de Winchester, uma das maiores de toda a Europa.

Outra característica marcante são as abóbadas em cruzaria, que formam os impressionantes tetos nas igrejas. Já os arcos ogivais eram mais leves e mais fortes quando comparados ao estilo Românico. Por esse motivo, também, o estilo Gótico permitia a construção de paredes mais altas.

Vitrais da Sainte-Chapelle, Paris.

Os vitrais compõem mais um dos principais diferenciais da arquitetura gótica. Diante do novo estilo, eles ganharam mais cores e tamanho, trazendo mais luminosidade para o interior das igrejas e catedrais. A construção de vitrais maiores foi possível graças ao tamanho das paredes e a luminosidade que incidia para dentro das igrejas servia para indicar o vínculo com o sagrado.

Exemplar de Rosácea na Catedral de Notre Dame, Paris.

Além disso, as rosáceas também ajudavam a trazer mais luz e ficavam quase sempre posicionadas nos portais de entrada, geralmente em maior altura do que os vitrais. Os florões, por sua vez, marcam sobretudo os pontos mais altos das áreas externas. Eles serviam como decoração e tinham formato de flor (geralmente a flor-de-lis).

Parte do portal da Catedral de Colônia, Alemanha.

Os portais de entrada eram repletos de detalhes e os tímpanos, que retratavam histórias bíblicas, ajudavam a ornamentar.

Vista da gárgula guardando a Catedral de Notre Dame, Paris.

Outro elemento muito importante do período são as gárgulas, que além de supostamente guardar as igrejas e decorá-las, ainda protegiam as fachadas ao escoar a água para longe. Já as estátuas decoravam a parte interna e externa das igrejas e retratavam figuras religiosas. As torres das igrejas também impressionavam por sua altura, completando a imponência das construções góticas.

Agora que você já conhece as principais características e um pouco da história da arquitetura gótica, que tal procurar fotos de igrejas que já visitou para tentar encontrar esses elementos listados acima, típicos do período? Assim a gente mata um pouquinho da saudade de viajar e ainda aproveita todo esse conhecimento nas próximas viagens. 

Continuando com a nossa série “Memória, cultura e sabores”, finalmente, chega a hora de explorarmos toda a pluralidade de Berlim através de suas delícias gastronômicas.

Como vimos no post sobre sua memória, a cidade que um dia já foi literalmente dividida por um muro, hoje, é ponto de encontro de inúmeras culturas. Essa característica, obviamente, também se estende ao cenário gastronômico de Berlim, onde, além dos pratos tipicamente alemães, delícias dos quatro cantos do mundo também são facilmente encontradas.

Dizer que a cidade não é o lugar certo para provar comida alemã seria um tanto quanto injusto, porém, vale ressaltar que Berlim é, também, o lugar certo para provar os diferentes sabores do mundo sem sair da cidade. Seja sua preferência um bom restaurante asiático, um tradicional e alemão currywurst ou até mesmo o típico “sanduíche” berlinense de origem turca conhecido como döner kebap, aqui você pode provar, praticamente, de tudo. E, sim, a cidade oferece muitas opções veganas. Podemos encontrar, no mínimo, uma versão vegana para cada tipo de comida, além, é claro, das originalmente veganas, como falafeis e alguns pratos asiáticos, por exemplo.

Culinária de Origem Turca

Após a Segunda Guerra, o volume da mão de obra alemã não estava sendo suficiente para dar conta da crescente produção que a Alemanha Ocidental vivia. Em 30 de outubro de 1961, houve um acordo com a Turquia que previa que o país pudesse exportar mão de obra para Alemanha. Desde então, os turcos representam o maior grupo de imigrantes em território alemão e, por isso, podemos dizer que sua contribuição local vai muito além de construções físicas, mas, também, através dos hábitos alimentares, por exemplo.

Döner Kebap: O espeto giratório (ou churrasco grego, como é conhecido no Brasil) é uma comida de origem turca que foi adaptada para agradar o paladar alemão. Sua forma de “sanduíche” com molhos especiais e saladas, além do churrasco de espeto, é originalmente berlinense, porém, hoje, é um dos fast-foods mais populares do país inteiro. Para os vegetarianos, a dica é pedir um gemüsekebap no famoso Mustafas, localizado no descolado bairro de Kreuzberg.

Falafel: Também do Oriente Médio, o falafel pode ser encontrado frequentemente nas mesmas lanchonetes que vendem o famoso Döner Kebap. O bolinho de grão de bico, por si, é vegano e pode permanecer vegetariano a depender dos acompanhamentos. Assim como o Döner Kebab, o falafel frequentemente é acompanhado de molhos e saladas ensanduichados em pão sírio.

Culinária Tradicionalmente Alemã

Não é segredo pra ninguém que a salsicha é algo extremamente popular na Alemanha. O fácil armazenamento dos embutidos bem como seus longos prazos de validade são fatores convenientes para o país de clima predominantemente frio. Embora a modernidade e a privilegiada situação financeira do país nos dias atuais já permitam o cultivo e importação de alimentos que um dia alemães jamais sonhariam em comer, os embutidos seguem, culturalmente, como parte dos principais pratos da Alemanha.

Currywurst: Muitas cidades afirmam ter criado o currywurst. Os berlinenses, por sua vez, afirmam que o prato tenha sido inventado por Herta Heuwer, no bairro de Charlottenburg. A salsicha com curry é comumente acompanhada de pão e/ou batata frita, que geralmente são “temperados” com ketchup e maionese.

Berliner: É difícil afirmar a origem do pãozinho doce cuja forma e sabor da massa se assemelham ao nosso sonho, porém, o mesmo não poderia faltar na lista devido ao seu nome popular de Berliner (berlinense, em alemão). Diferentemente do sonho brasileiro, nele, o recheio mais comum é o de geléia de frutas vermelhas.

Culinária Asiática

Além das citadas acima, a culinária asiática também se faz bastante presente em Berlim. São diversas opções de restaurantes espalhados pela cidade. Separamos dois dos pratos mais típicos e populares por aqui:

Pho: O Pho é um dos pratos vietnamitas mais populares em Berlim e no mundo. Embora seu nome signifique originalmente “noodles de arroz”, hoje, o termo se refere à sopa por completo que, além do “macarrão”, brotos de feijão e ervas frescas são acrescidos ao caldo. Fica a critério do cliente escolher entre carne vermelha, de frango ou tofu como proteína.

Pratos à base de leite de coco: São várias as opções disponíveis, um exemplo desse estilo de comida é o Ca Ri Nuoc Dua Xao. Nele, curry (vermelho, amarelo ou verde), especiarias, vegetais e, a depender do ciente, carne vermelha, branca ou tofu são cozidos no leite de coco, formando uma base líquida, cremosa e bem saborosa. Na maioria dos casos, ao optar pelo tofu como proteína, você já estará escolhendo uma refeição vegana, uma vez que a base de leite de coco com especiarias, em sua maioria, não possui nenhum ingrediente de origem animal.

Obs.: Recomendamos sempre verificar os ingredientes no cardápio caso possua alguma restrição alimentar.

Gostou de conhecer Berlim conosco através de sua memória, cultura e sabores? Conte pra gente nos comentários o que mais gostou. Para mais informações, fale com a gente através do contato@bordejo.com 🙂

Você gosta de castelos? Sim?! Então saiba que a Alemanha possui vários e eles são incríveis! Diante de tanta beleza decidimos fazer um ranking entre os mais famosos castelos do país. É um mais incrível que o outro. Vem conferir nossa lista!

5º lugar: Schwerin

O Castelo de Schwerin está localizado na cidade com o mesmo nome, no norte da Alemanha, mais precisamente a uma hora de distância de Hamburgo. Os vestígios mais antigos de sua construção datam de 942, embora outros indícios de fortalezas anteriores já tenham sido encontrados no mesmo local. Estudiosos apontam que já haviam pessoas vivendo na região há milhares de anos. 

Após sofrer diversas alterações ao longo de sua história, sua forma atual foi construída e restaurada no século XIX pelo Grão-Duque Friedrich Franz II de Mecklenburg-Schwerin. Para isso, novas construções foram adicionadas às partes mais antigas do castelo. Os setores mais aproveitados datam do Renascimento e foram integrados ao novo Castelo que estava sendo construído. A torre mais alta, a cúpula dourada e o portal principal também são do séc. XIX. Por ter sido restaurado em um período relativamente recente e preservar vários de seus aspectos arquitetônicos antigos de outros séculos, podemos classificar seu estilo como historicista. É possível fazer uma visita interna e conhecer as salas mais importantes. A Sala do Trono, por exemplo, é a mais famosa do castelo e cheia de belos detalhes.

4º lugar: Burg Eltz

A criação de boa parte dos castelos medievais que conhecemos hoje começou nos séculos IX e X. O que eram apenas pequenas casas senhoriais cercadas se tornariam castelos fortificados feitos com paredes e muralhas robustas. O principal período de construção do Burg Eltz, no entanto, foi do século XI ao XIII, durante a dinastia Hohenstaufer. Neste período tivemos a primeira menção ao nome Eltz em documentos históricos. O Castelo foi construído estrategicamente próximo de uma das rotas comerciais mais importantes do Império Alemão, junto ao rio Mosel. A visita interna é também bastante impressionante devido às belezas dos salões do Castelo.

3º lugar: Heidelberg

A história do Castelo de Heidelberg começou quando os príncipes eleitores da região se mudaram para a cidade. Ele foi mencionado pela primeira vez no séc. XIII e seria, posteriormente, uma das maiores referências de arquitetura durante o Renascimento. Até a Guerra dos Trinta Anos, o local possuía um dos Castelos mais impressionantes do Sacro Império Romano-Germânico. Os príncipes eleitores fizeram várias intervenções na arquitetura do lugar com o passar do tempo. Cada nova intervenção era uma obra-prima da arquitetura renascentista. Suas magníficas fachadas criam uma moldura resplandecente no pátio do Castelo. 

No final do século XVII, o local foi atacado várias vezes e destruído pelos franceses na Guerra dos Nove Anos, também conhecida como Guerra da Grande Aliança. No séc. XVIII, após reparos, o local foi danificado por um incêndio. Desta vez, porém, dois raios foram os responsáveis por deixar o Castelo em ruínas. Já no séc. XIX, o movimento Romântico fez com que suas ruínas fossem revalorizadas, pois eram uma visão de devastação e, ao mesmo tempo, beleza. Elas simbolizavam o espírito desse novo movimento, o que culminou na elevação do Castelo de Heidelberg como monumento nacional.

Embora o tempo o tenha modificado completamente, a fama do local se mantém até hoje bem como sua beleza histórica. Entre os locais de maior interesse está um dos maiores barris de vinho do mundo e o Museu da Farmácia. A visita interna guiada é bem interessante, com lendas e mitos do local relatados aos visitantes.

2º lugar: Hohenzollern

A primeira menção ao Castelo se deu no séc. XIII. Não se sabe exatamente qual era seu tamanho naquele período mas sua construção provavelmente se iniciou no começo do séc. XI. Ele já foi chamado de “a casa mais fortificada da Alemanha”. No início do séc. XV ele foi totalmente destruído, mas, ainda no mesmo século, foi reconstruído ainda maior e mais forte do que antes. 

Durante o séc. XIX, com sua manutenção negligenciada, ele se desfacelou em ruínas, mas, no final do mesmo século, o rei Frederico William IV o restaurou e recriou um dos mais imponentes Castelos da Alemanha. Em estilo neogótico, ele possui muitas torres e é uma obra-prima da arquitetura de seu tempo. Sua localização em uma alta montanha da Suábia dá imponência ao Castelo. A visita interna é feita por meio de tour guiado e seus salões impressionam pela beleza. Os diversos vales e florestas que cercam o Castelo proporcionam uma belíssima vista.

1º lugar: Neuschwanstein

Em primeiro lugar está o castelo que inspirou Walt Disney a criar o Castelo da Cinderela. Quando no séc. XIX a Baviera foi forçada a aceitar uma aliança após perder a guerra contra a Prússia, o rei Ludwig II perdeu sua soberania. A partir de então ele começou a planejar seu próprio reino para compensar sua falta de autoridade e voltar a ser um rei de “verdade”, idealizando o que viria a ser o Castelo Neuschwanstein. O Castelo Hohenschwangau, muito próximo do Neuschwanstein e onde o rei passou sua infância, era decorado com cenas de lendas e poesias medievais. Ludwig, quando jovem, o tinha como um de seus locais favoritos e adorava passar os verões admirando os belos cenários nas montanhas.

Entre as lendas eternizadas no Castelo Hohenschwangau está a do cavaleiro Lohengrin, conhecido como o Cavaleiro do Cisne e com o qual Ludwig se identificava durante sua infância. Richard Wagner, amigo pessoal de Ludwig, já havia dedicado uma ópera à lenda de Lohengrin no final do séc. XIX. O cisne, além de estar presente na história, era também o animal símbolo dos brasões dos condes de Schwangau. Segundo a tradicional lenda alemã, Lohengrin era um misterioso cavaleiro que chega em um barco guiado por um cisne para salvar uma nobre donzela em perigo. Eles se casam, mas sob a condição de que ela nunca perguntasse sobre suas origens. Tempos depois ela esquece da promessa e acaba lhe perguntando. Ele conta sua história, mas logo a abandona e parte no mesmo barco guiado pelo cisne.

Ao visitar a parte interna do Castelo Neuschwanstein, você verá a imagem de Lohengrin desenhada em uma das belas salas. Uma curiosidade interessante é que o Castelo nunca foi completamente concluído, isso porque o rei tinha projetos megalomaníacos e pretendia fazer algo ainda maior. Ele também nunca quis que o local fosse aberto à visitações. Após sua morte, a construção foi finalizada no estágio em que se encontrava e hoje, ironicamente, ele é um dos castelos mais visitados do mundo.

O que é e como começou? 

A epidemia do Coronavírus começou em Wuhan, na China. Em 31/12/2019 o país notificou a Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre o aparecimento de uma nova doença. Os especialistas começaram a tentar identificar e desvendar o agente causador. Aparentemente tudo teria começado num mercado de peixes da cidade chinesa.

A suspeita do vírus Sars foi rapidamente descartada e, em 7 de janeiro de 2020, os cientistas identificaram o Coronavírus, como foi posteriormente chamado. O nome oficial do vírus é Sars-Cov-2 e o da doença é COVID-19. O nome se dá em decorrência do fato do vírus, quando analisado em microscópio, parecer ter uma coroa ao redor de si.

Em 11 de janeiro deste ano a primeira morte foi anunciada. Um homem de 61 anos morreu após severas complicações por conta da doença. Ele havia estado no mercado de peixes de Wuhan. O vírus começou a se espalhar pela Tailândia e Japão por pessoas que supostamente estiveram no mesmo mercado.

Em janeiro o vírus chegou à França, Alemanha e Itália. Neste último país houve grande número de contaminações. Até o momento já há pouco mais de 100 mil pessoas infectadas e 3450 mortes por Coronavírus. Segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças, ele continua a se espalhar, contudo, o número de registro da China vem caindo.

Quais os sintomas? 

Primeiramente é importante saber que o período de incubação do vírus, que é o tempo que leva para surgirem os primeiros sintomas, pode ser de 2 a 14 dias. 

Os sintomas são: febre, tosse e dificuldades respiratórias que podem evoluir para uma pneumonia.

Quem está no grupo de risco?

Pessoas com mais de 80 anos estão no grupo de mais risco, com uma taxa de mortalidade de 15%. Já no grupo que inclui crianças e jovens adultos essa taxa cai para 0,2%.

Como se prevenir? 

A OMS aconselha lavar bem as mãos por pelo menos 20 segundos. Atente para lavar a palma e parte de cima das mãos, entre os dedos e embaixo das unhas. Desinfetantes a base de álcool também são ótimos aliados quando não for possível lavar as mãos. Mantenha uma distância segura de um metro de distância das pessoas ao sair nas ruas para evitar possibilidades de contaminação. Não cumprimente pessoas com apertos de mão ou beijos no rosto. Evite tocar sua face, boca, olhos e nariz quando não estiver com as mãos completamente limpas. Além disso, já foi constatado que usar máscaras cirúrgicas comuns não é eficiente. Isso porque, ao respirar por cerca de 20 minutos com a máscara cria-se umidade e isso faz com que ela perca sua já pouca eficiência. Lembre-se também de tossir e espirrar de forma correta. Isso significa usar a dobra do cotovelo e não a mão para evitar que as gotículas de saliva do espirro se propaguem, diminuindo a possibilidade de contaminação. Usar um lenço de papel para espirrar e jogá-lo no lixo também é uma boa medida.

Quais as perspectivas para o futuro e suas consequências? 

Existes grandes chances de aumento no índice de propagação, já que muitas pessoas tendem a não ir ao médico se os sintomas forem leves. O vírus já atingiu 96 países. 

Na Alemanha houve corrida aos mercados e muitos acharam pertinente fazer estoques de alimentos em casa, mesmo com o aviso do governo dizendo que essa medida não era necessária. Ainda assim, o ministro da Saúde da Alemanha disse que é importante estarmos atentos para não causar pânico desnecessário e que o país está preparado para lidar com uma epidemia.

No momento existem 30 empresas e instituições acadêmicas trabalhando na produção da vacina. Será necessário esperar ao menos um ano e meio até que ela esteja pronta para o uso. Apesar disso parecer ser um longo tempo, vacinas costumam levar de cinco a quinze anos para chegar ao mercado, segundo Jon Andrus, professor de vacinologia da Universidade George Washington. A OMS ainda sinalizou que o Covid-19 não é tão mortal quando comparado a outros vírus similares previamente registrados, como a SARS e a MERS. O maior perigo do Covid-19 está na rapidez de sua transmissão.

Em relação à economia mundial a previsão não é muito otimista. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) disse que o mundo pode sofrer com a recessão causada pelo Coronavírus ainda no primeiro semestre de 2020. O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) corroborou a opinião da OCDE ao dizer que espera um impacto substancial na economia global.

Apesar de tudo devemos levar em consideração que se trata de um novo vírus. Isso também quer dizer que muitos estudos ainda estão em andamento e muitas informações a seu respeito podem mudar. A OMS, inclusive, já disse que ele se comporta de maneira nunca vista antes. O ideal é acompanhar as notícias e se manter sempre bem informado para evitar o pânico.

Confira o vídeo com instruções para se prevenir contra o vírus.

Que Berlim é uma cidade incrível você já sabe, mas que ela fica bem próxima de outras cidades bem bacanas talvez seja novidade. Você pode ir de carro, trem ou, até mesmo, ônibus. Selecionamos quatro cidades próximas de Berlim para você conhecer.

Hamburgo

A cidade de Hamburgo é uma das nossas preferidas em toda a Alemanha. Além de belíssima, ela já foi eleita como uma das melhores cidades do mundo para se viver. O local já foi invadido inúmeras vezes pelos vikings dinamarqueses no passado e funciona como zona portuária há muito tempo. A arquitetura da região é realmente impressionante. Além da moderna Filarmônica na beira do rio Elba, onde você pode subir gratuitamente para apreciar o belo pôr do sol, ainda existe a prefeitura da cidade, que é também muito bonita. A antiga região dos galpões do porto conserva a marca da arquitetura local, que são os tijolinhos aparentes. Hamburgo tem charme, história e sofisticação de sobra. Você certamente vai se surpreender.

Potsdam

Potsdam, que fica bem pertinho de Berlim, é conhecida por seus belos palácios. A cidade já foi residência de alguns reis da Prússia e, por isso, conserva muita beleza e história. Um de seus marcos foi ter sediado, em 1945, a Conferência de Potsdam, que reuniu os líderes dos principais países vitoriosos da Segunda Guerra Mundial. Além disso, o complexo de palácios da cidade pertence ao Patrimônio Mundial da UNESCO e os mais famosos são o Sanssouci, o Neue Palais e o Cecilienhof.

Dresden

Dresden, ou a Florença do Elba, já foi residência dos reis da Saxônia e, também por isso, possui um legado de beleza e cultura. O rio Elba também corta a cidade e, do terraço de Brühl, você pode apreciar sua bela vista. Não deixe de conhecer o Zwinger (ou o antigo palácio das laranjeiras), o palácio da cidade e o belíssimo “Cortejo da Cavalaria”, feito inicialmente com a técnica de sgraffito e, atualmente, transformado em porcelana. Não se esqueça de visitar a loja da Porcelana de Meissen, que é muito tradicional por lá. Bem próximo de Dresden foi criada a primeira porcelana branca da Europa, que antes disso existia apenas na Ásia. Além de tudo isso, a cidade foi severamente marcada pelos bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial e algumas de suas marcas podem ser vistas na Frauenkirche. Essa igreja foi reconstruída tempos depois do fim da guerra e várias partes da estrutura original foram usadas em sua reconstrução, deixando as marcas que não podem ser esquecidas.

Lübbenau

Esta pequena cidadezinha nos arredores de Berlim vai te surpreender pela beleza e imersão na natureza. Aqui é possível desfrutar de uma (ou várias) cervejas com os amigos num dia de sol, na beira de um dos vários canais da região. Você pode alugar um caiaque ou fazer um passeio de barco, no qual o condutor te leva para conhecer a cidadezinha. O clima em meio à natureza é delicioso! É possível observar vários animais em seu habitat natural: pássaros diversos como patos, gansos e tantos outros. As famílias de moradores locais e turistas transmitem o clima de férias do local. A aventura é imperdível!

 Agora que você já sabe quais cidades visitar, pode começar a planejar sua próxima viagem. Nós te ajudamos nas compras das passagens de trens, personalizamos seu roteiro, realizamos passeios guiados pelas cidades e muito mais! Conte conosco para que sua viagem seja repleta de boas lembranças.  

Dando continuidade à nossa série “Memória, cultura e sabores”, hoje, vamos abordar os aspectos culturais da cidade que sabe o verdadeiro significado do que chamamos de integração cultural. A presença da Alemanha nos capítulos históricos da arte clássica aliada à recente abertura ao novo (principalmente encabeçada pela capital do país) garantem a Berlim uma posição bastante ativa no cenário artístico mundial. A cidade parece saber que as diferenças culturais agregam à criatividade artística e, por isso, hoje, além de produzir, importa arte e artistas do mundo todo.

Do erudito à arte de rua, Berlim oferece atrações para todos os gostos e bolsos. Separamos alguns pontos que, juntos, provam toda essa diversidade. Vale a pena conhecê-los:

Pelo bairro de Mitte

O bairro mais central da cidade abriga seus principais museus e instalações artísticas, como a Ilha dos Museus e o Staatsoper, por exemplo. A casa de ópera da companhia Staatsoper Berlin, localizada na famosa Unter den Linden, é um dos espaços dedicados à arte mais antigos de toda Alemanha. Atualmente, o teatro exibe peças de concerto, óperas e balés (clássicos e contemporâneos). Além de sua casa principal, a companhia ainda exibe outros espetáculos no Deutsche Oper Berlin, localizado no bairro de Charlottenburg.

Ainda por Mitte e pelas artes clássicas, não podemos deixar de citar a Filarmônica de Berlim. Considerada uma das melhores orquestras do mundo, a Filarmônica possui sua própria casa de concerto localizada próximo à Potsdamer Platz, bem ao lado do Tiergarten. A arquitetura do teatro também é um espetáculo à parte. A moderna estrutura de formato um tanto quanto diferente, projetada por Hans Scharoun, garante ao público a melhor acústica que a arquitetura contemporânea poderia oferecer.

Por Prenzlauer Berg

O novo e o velho coabitam em perfeita harmonia no bairro em que a população majoritariamente jovem reside nos antigos prédios sobreviventes aos bombardeios. Por se localizar em uma área menos afetada pela guerra, a arquitetura antiga ainda prevalece no bairro, ao passo em que a população jovem recheia as construções e esquinas com muita arte e modernidade. Se ficar preso à uma única atração dentro de um ambiente formal e fechado não é muito a sua praia e, ao invés disso, você prefere relaxar ao ar livre enquanto aprecia inúmeras apresentações artísticas ao mesmo tempo, talvez o Mauerpark seja o lugar certo pra você. Descolado demais pra limitarmos ao rótulo de “jovem”, o espaço é ponto de encontro para públicos e artistas de todos os tipos e idades. Além de músicas, danças e performances, rola um mercado a céu aberto bem diversificado, onde você encontra comidas e bebidas (tradicionais ou veganas), além de diversos artigos de brechó, como câmeras antigas, roupas, discos, objetos de decoração etc. Importante dizer também que todas essas atrações podem ser experienciadas durante os domingos de primavera, verão e outono e, mais confortavelmente ainda, em dias de sol.

Pelo bairro de Kreuzberg

Não há como falar de cenário alternativo sem falar sobre Kreuzberg. O que antes era considerado apenas como um bairro pouco afastado do centro, hoje, é praticamente uma galeria a céu aberto. Por estar localizado na antiga parte de Berlim pertencente aos Estados Unidos (durante a Alemanha dividida no pós-guerra), o bairro serviu, através de seus habitantes, como grande porta de entrada para a globalização cultural, justificando, assim, a pluralidade artística do local. Aqui, você encontra famosos grafites espalhados por muros e paredes, entre eles uma obra dos brasileiros “Gêmeos”, intitulada “yellow man”.

Por Friedrichshain

Leu nossa matéria sobre a história de berlim e vai conhecer o East Side Gallery? Então aproveita e dá uma passadinha num espaço bem legal, não muito longe dali. O Urban Spree, espaço de 1700 m² dedicado à cultura urbana, é um mix de exposições, instalações artísticas, oficinas, concertos, loja de arte e um grande Biergarten. Com ambiente descontraído e uma curadoria bem bacana, é um excelente local para quem quer mergulhar em arte de maneira informal, porém, sem perder qualidade.

Gostou de nos acompanhar nessa viagem cultural? Quer conhecer tudo isso e muito mais pessoalmente? Fale com a gente através do contato@bordejo.com. Nós teremos prazer em te guiar! 🙂

História

Nem todos sabem mas o carnaval de Colônia é um dos mais famosos de toda a Europa. Como foi que ele ganhou tanta fama? Na antiguidade, gregos e romanos já celebravam tradicionalmente alegres festivais de primavera em homenagem a Dionísio e Saturno, com vinho e muita música. Era bastante comum na cultura alemã celebrar o solstício de inverno. Esses e outros costumes pagãos foram sendo adotados, mais tarde, pelos cristãos. O período da Quaresma, que antecede à Páscoa, foi chamado de “Karnival” como uma espécie de adeus à carne em preparação para o jejum. 

Durante a comemoração do carnaval, na Idade Média, os bailes de máscaras acabavam sendo muito tumultuados e isso era visto com maus olhos, principalmente pela Igreja. As proibições nunca eram respeitadas e a celebração da festa continuava cada vez mais animada. O Carnaval de rua começou a durar ainda mais no século XVIII. Passou-se, então, a incluir nas comemorações os elegantes bailes de máscaras e fantasias em estilo veneziano, inicialmente  usados apenas para a diversão da aristocracia.

No início do séc. XIX e após ter sido anexada à França, a região tentava bravamente resgatar sua famosa tradição carnavalesca que havia sido proibida pelos franceses. Em 1823 a festa já havia sido permitida novamente e foi criada, portanto, uma assembléia que deu origem ao comitê que organiza até hoje o famoso carnaval de Colônia. Em fevereiro do mesmo ano foi empossado, pela primeira vez, o príncipe do carnaval da cidade. Ele também era o fabricante da famosa “água de Colônia” e, por isso, até hoje são distribuídas as tradicionais águas perfumadas durante os desfiles.

Após a criação da Festkomitee des Kölner Karnevals foi criada a tradicional Rosenmontag, ou Segunda-feira de Rosas. Neste dia, mais de um milhão de pessoas lotam a cidade para curtir o carnaval de rua. Temas populares como política, esporte e costumes da sociedade são parodiados durante os desfiles. Carros festivos representam o orgulho da festa com seus diversos grupos. 

As associações e seus membros esbanjam trajes coloridos, uniformes, pinturas e carros alegóricos. Várias bandas de toda a Alemanha e países vizinhos animam os espectadores enquanto lançam Kamelle (docinhos e chocolates variados), distribuem Bützje (beijinhos na bochecha), Strüßje (raminhos de flores) e celebram a alegria do carnaval. A trindade, que é formada pelo príncipe, o camponês e a virgem, faz a alegria do povo. 

Curiosidades

As pessoas costumam estar muito mais alegres e receptivas durante o carnaval, seja por conta da bebida ou pelo clima festivo. Não se espante se um alemão ou algum turista te chamar para dançar. As pessoas estão tão abertas por conta do clima carnavalesco que até costumam distribuir beijinhos na bochecha. Isso é algo muito corriqueiro na festa de Colônia, então não seja tímido e entre na brincadeira. 

Nesta época do ano os foliões usam e abusam da criatividade e fazem as próprias fantasias de carnaval, que costumam ser muito caprichadas. Vá para a folia fantasiado e a diversão será garantida. Prepare os ouvidos pois a cidade fica em festa e as bandas passam a todo o vapor, levando música contagiante para alegrar ainda mais o público. Costuma-se esperar, todo ano, uma média de um milhão de pessoas. É muito comum encontrar bares e restaurantes lotados, com filas enormes. A única forma de reagir a isso é mantendo a paciência.

Na véspera da quarta-feira de cinzas é tradição queimar o Nubbel, um boneco feito de palha que é levado por uma procissão de tochas para ser queimado à meia-noite. Ele leva a culpa de toda a má conduta e representa o fim da festa. Esse é o ritual de fechamento do Carnaval.

Gostou de saber um pouco mais sobre o tradicional carnaval de Colônia? Aqui também existe muita diversão e a festa é levada bem a sério. Desejamos boa folia a todos, seja no Brasil ou na Alemanha, divirtam-se!

Hoje, iniciamos nossa série de 3 matérias que visam trazer a essência da cidade através de sua memória, cultura e sabores. Se você gosta de história e quer conhecer Berlim, essa matéria é pra você!

Berlim é uma cidade que renasce a cada desafio histórico. A prática de aprender com os erros do passado a fim de não repeti-los é constantemente renovada na cidade que reúne história, diversidade cultural, conservadorismo e progressismo em convivência pacífica via de regra.

A cidade que já foi literalmente divida por um muro, hoje, abraça a integração de diferentes nacionalidades, culturas, crenças e religiões. Toda essa mistura cultural, claro, se transforma em matéria-prima riquíssima para o que chamamos de produção criativa, seja ela aplicada nas artes propriamente ditas ou incorporada aos deliciosos pratos servidos pelos restaurantes e lanchonetes da cidade. 

Com cicatrizes adquiridas ao longo de três grandes guerras (1ª Guerra Mundial, 2ª Guerra Mundial e Guerra Fria), pode-se dizer que Berlim respira história. Só de museus e memoriais, juntos, são mais de 170 espalhados pela cidade. Dentre eles, nós escolhemos alguns que não podem faltar no seu roteiro de viagem.

Ilha dos Museus

Como falar sobre museus sem falar da ilha “dedicada” a eles? Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1999, a Ilha dos Museus é parada obrigatória para quem não abre mão de programas histórico-culturais. Localizada no Rio Spree, a ilha comporta 5 museus mundialmente renomados: 

Museu Antigo (Altes Museum) – O mais antigo de seus vizinhos, construído na primeira metade do século XIX, abrigava inicialmente objetos da Realeza Prussiana. Hoje, o museu exibe peças da Grécia e Roma antigas.

Museu Novo (Neues Museum) – O museu reúne 9.000 objetos distribuídos por três grandes coleções históricas. Aqui, você viaja no tempo ao explorar a história da Europa e do Oriente Médio desde a Idade da Pedra até a Idade Média. Além do Busto de Nefertiti, atração principal do museu, a coleção de antiguidades egípcias ainda exibe várias outras peças que vão desde esculturas a uma enorme coleção de obras literárias, inclusive em papiro.

Antiga Galeria Nacional (Alte Nationalgalerie) – Também construído na segunda metade do século XIX, o museu chama bastante atenção devido à sua aparência altamente inspirada em templos antigos, valorizando suas imponentes colunas e escadarias. Aqui, você contempla obras do Classicismo ao Romantismo.

Museu Bode (Bode-Museum) Construído entre o final do século XIX e início do século XX, o museu carrega o nome de seu criador Wilhelm von Bode. Nele, podemos contemplar a Arte Bizantina, além de uma vasta coleção de moedas.

Museu Bode

Museu Pergamon (Pergamonmuseum) – Caçula, o mais novo dos museus já ocupa o posto de mais famoso da cidade. Seu nome faz referência ao Altar de Pérgamo (antigo templo grego construído para Zeus). Nele, você pode contemplar esculturas em tamanho real de algumas das principais construções da antiguidade, como o Portão do Mercado de Mileto, a Porta de Ishtar, a Fachada de Mshatta, além, é claro, do próprio Altar que dá nome ao museu.

Fora da Ilha dos Museus, a Topografia do Terror merece destaque pela sua importância histórica e social, principalmente se levarmos em consideração a crescente força da extrema direita na Alemanha e em outros países do mundo. Em 2010, em comemoração aos 65 anos do fim da Segunda Guerra, o local que havia assistido, entre 1933 e 1945, à tortura de mais de 15 mil opositores do governo nazista renasce como uma importante exposição de oposição ao horror. É impossível não se emocionar diante de tantos documentos e fotos que denunciam o verdadeiro terror vivido pelas vítimas do nazismo.

Topografia do Terror

Além dos Museus, os Memoriais se fazem bem presentes pela cidade, cumprindo bem o papel de reflexão sobre os erros do passado. Bem próximo ao Portão de Brandemburgo, você pode conhecer três memoriais que remontam o mesmo período, o da Alemanha nazista.

Memorial aos Judeus Assassinados da Europa – Maior dos três e inaugurado em 2005, o memorial propõe um espaço aberto de reflexão. A sensação de caminhar por entre os blocos é bem diferente da sensação que se tem ao observar a construção de fora. Ser “engolido” pelas construções robustas e padronizadas ao passo em que se perde a vista do horizonte, do futuro, da vida, da esperança é uma experiência, sem dúvida, bem intensa.

Memorial aos Judeus Assassinados da Europa

Memorial aos Homossexuais Perseguidos pelo Nazismo (Denkmal für die im Nationalsozialismus verfolgten Homosexuellen) Partindo do Memorial dos Judeus, do outro lado da rua, você encontra o Memorial dos Homossexuais Perseguidos pelo Nazismo. Construído em 2008, tinha como objetivo homenagear lésbicas e gays perseguidos e assassinados pelo governo nazista. Embora o nome do memorial se limite a “homossexuais”, a gente sabe (ou deveria saber) que as demais minorias discriminadas a partir da orientação sexual e/ou identidade de gênero devem ser igualmente lembradas. A construção é composta por um bloco único, semelhante ao do Memorial dos Judeus, com uma janelinha de vidro que nos permite assistir a um beijo homossexual, reproduzido em uma pequena tela.

Memorial aos Homossexuais Perseguidos pelo Nazismo

Memorial aos Sinti e Roma assassinados pelo nazismo (Denkmal für die im Nationalsozialismus ermordeten Sinti und Roma Europas)Construído em 2012, o Memorial homenageia os povos Sinti e Roma, popularmente conhecidos como Ciganos, que também foram perseguidos e assassinados pelo regime nacional-socialista. O memorial consiste em um tanque de água circular, calmo e silencioso, que exibe uma flor bem no meio, apoiada em uma estrutura sólida triangular.

Biblioteca Submersa (Versunkene Bibliothek)Em 1933, membros da união estudantil nazista alemã realizaram a primeira grande queima de livros, destruindo importantes obras da literatura. Livros de autores como Stefan Zweig, Heinrich Heine, Karl Marx e Kurt Tucholsky foram completamente queimados. Desde 1995, o memorial “Versunkene Bibliothek”, de Mischa Ullmann, nos lembra de tal episódio. A instalação é composta por prateleiras vazias que podem ser vistas a partir de um vidro transparente no chão, bem ao lado da citação de Henrich Heine, de 1820, que diz: “Isso foi apenas o começo; onde queimam-se livros, logo queimam-se pessoas”.

East Side Gallery – Localizada às margens do Spree e com 1316 metros de comprimento, a galeria ao ar livre é o “pedaço” contínuo mais longo do Muro de Berlim ainda de pé. Imediatamente após a queda do muro, 118 artistas de 21 países começaram a pintar a East Side Gallery, que assumiu oficialmente a função de galeria a céu aberto em setembro de 1990. Cerca de um ano depois, recebeu o status de memorial protegido.

Checkpoint Charlie – O Checkpoint Charlie remonta um dos antigos pontos de travessia (entre Berlim Oriental e Berlim Ocidental) utilizados durante a Guerra Fria. Ele não foi apenas local de “travessia pacífica”, mas também testemunha de inúmeras tentativas de fuga que ocorriam do lado Oriental para o lado Ocidental. Uma exposição ao ar livre conta algumas dessas histórias, umas de falhas e outras de sucesso.

Checkpoint Charlie

Gostou de nos acompanhar nessa viagem histórica? Quer conhecer tudo isso e muito mais pessoalmente? Fale com a gente através do contato@bordejo.com. Nós teremos prazer em te guiar! 🙂

Como a Rota foi criada?

Este ano a Rota Romântica, localizada na Baviera e a que mais atrai turistas em toda a Alemanha, completa 70 anos de existência. Você certamente já ouviu falar sobre ela ou viu alguma linda fotografia na internet, mas como esse circuito de 29 cidades ganhou tanta fama? Precisamos, antes de tudo, apresentar sua história.

Quando a Rota Romântica foi criada, em 1950, alguns países do mundo, incluindo a Alemanha, viviam o chamado “milagre econômico”. O país, inclusive, havia acabado de se libertar do regime nazista e passava por um momento de recomeço. Era necessária, portanto, a criação de um local que simbolizasse esse novo momento da Alemanha e desvinculasse sua história do passado nazista. Surgia, assim, a Rota Romântica. Essa nova face do país deveria ser receptiva mas também recheada de riquezas culturais e história. A arquitetura local ajudava a construir esse novo cenário: casinhas em estilo enxaimel, treliças aparentes, castelos e vinhedos remetiam ao romantismo da nova Rota que estava sendo criada.

No início, os soldados americanos eram os principais turistas na Rota. Eles traziam os familiares para conhecer o local e todos ficavam impressionados com suas belezas e riquezas medievais. Atualmente não é diferente. Não existe na Alemanha nenhuma rota tão famosa quanto esta. Ela vem sendo há bastante tempo o principal destino para turistas de diversos países. Seja conhecendo a Rota Romântica inteira ou parando apenas em algumas das cidades mais famosas, ela certamente irá lhe surpreender. 

No trecho mais ao Sul existem vários vestígios dos Romanos, como em Augsburg, uma das cidades mais antigas do país. Em 47 a.C., eles foram os responsáveis pela criação da Via Claudia Augusta que começava na Itália, passava pela Áustria e ia até Augsburg, seguindo o rio Lech. Já podemos perceber que há história de sobra. 

Castelo de Neuschwanstein visto da Marienbrücke

Qual a melhor época do ano para visitá-la?

A verdade é que cada época do ano possui belezas únicas. Se você prefere estações mais quentes, programe uma viagem entre maio e setembro. Agosto costuma ser um mês de bastante calor e, por isso, atrai uma enorme quantidade de turistas. Se pretende ver neve, é melhor programar a visita para os meses de dezembro a fevereiro. Muito cuidado com viagens entre o Natal e o Ano Novo. Os alemães costumam tirar férias neste período e existem grandes chances de encontrar muitos comércios fechados. 

Qual o melhor meio de transporte?

Se dirigir não é um problema, você pode aproveitar para se locomover de carro pela Rota Romântica. É bem fácil alugar um carro em Würzburg (início da Rota) ou até mesmo em Frankfurt (por onde chega a maioria dos turistas). Se preferir, também é possível fazer a Rota de trem, mas você precisa ter atenção nas estações ao fazer baldeação.

Plönlein, um dos locais mais fotografados de Rothenburg

Quantos dias são necessários para realizar o trajeto?

Como a maioria das pessoas não dispõe de tanto tempo para conhecer as 29 cidades da Rota, aconselhamos separar de 4 a 5 dias, no mínimo, para conhecer com calma os principais locais do trajeto. Algumas cidades são pequeninas e é possível conhecer o centro histórico em 3 ou 4 horas de passeio. Outras exigem mais tempo, por vezes até um dia inteiro.

É possível fazer um bate-volta de Munique?

Se estiver hospedado em Munique, você pode aproveitar e escolher uma das cidades da Rota Romântica para passar o dia como, por exemplo, Rothenburg, Landsberg ou o Castelo Neuschwanstein.

Quer saber mais sobre a Rota Romântica? Neste link a gente fala mais sobre as principais cidades. Nós lhe ajudamos a planejar sua viagem, oferecemos diversos tipos de serviços e passeios para transformar suas férias em uma verdadeira experiência repleta de boas lembranças. Contate-nos! 

Criado em 1951, no início da Guerra Fria, o Festival Internacional de Cinema de Berlim nasce como uma “vitrine do Mundo livre”, tornando-se local de intercâmbio cultural e de debates sociais através da perspectiva cinematográfica. Ainda hoje, é considerado o festival mais político do meio.

O evento que acontece de 20.02 até 01.03 exibe, anualmente, cerca de 400 filmes de todos os gêneros, durações e formatos. Através de longas, documentários e outras experiências artísticas cinematográficas, o público é convidado a encontrar modos de vida altamente contrastantes e, assim,  colocar em xeque seus próprios julgamentos e preconceitos, reciclando sua experiência de ver, sentir e perceber o entorno através do cinema. Fóruns e diálogos abertos também garantem ao público uma participação mais ativa no festival.

Além de trazer grandes estrelas do cinema internacional para as premiações, o evento ainda dá visibilidade a novos talentos, apoiando carreiras, projetos, sonhos e visões.

O programa completo e informações sobre tickets você encontra no site oficial do festival.

Estou indo pra Alemanha! lá faz sempre frio, e eu já sei o que vestir! Certo? Errado!

Diferente de como acontece no Brasil, país tropical de clima ameno (sem variações extremas de temperatura ao decorrer do ano), a Alemanha possui suas estações bem definidas, com cada uma oferecendo sua beleza e sua particularidade.

Sim, você pode apreciar e aproveitar o mesmo país de 4 maneiras completamente distintas! Visitar a Alemanha durante seu inverno, com neve (a depender da região) e temperaturas abaixo de 0° proporciona experiências bem diferentes comparadas ao que se vive durante o verão, na casa dos 30°, por exemplo. A diferença pode ser percebida no cenário (colorido e vibrante durante a primavera, quente no verão, alaranjado durante outono e acinzentado no inverno), nas atividades praticadas (de patinação no gelo durante o inverno a banho de lago no verão), nas comidinhas típicas e, sobretudo, nas vestimentas!

A variação de temperatura é tão grande que muitos alemães possuem o hábito de trocar as peças do guarda roupa a cada estação, guardando os casacos mais pesados de inverno durante a primavera e trazendo de volta aos cabides as jaquetas mais leves que ficaram “aposentadas” durante a estação mais fria. Cá entre nós, aproveitar a pluralidade das estações é uma delícia, mas isso só possível se estivermos confortáveis e protegidos em nossas roupinhas, certo?

Portanto, vamos aos planejamentos! Quando será nossa viagem para Alemanha?

Inverno – Se sua viagem acontece entre dezembro e fevereiro, que delícia! Nesse período, conhecemos aquela Alemanha de filmes, com direito a neve e noites mais longas – que valorizam (ou tornam necessárias) as apaixonantes luzinhas de natal – de beleza única. É a época de provar um bom chocolate quente, experimentar o Glühwein (bebida típica de vinho aquecido com especiarias), de jantar à luz de velas, de se aventurar em uma patinação e, sobretudo, garantir que temos roupinhas quentes na bagagem. Com os termômetros marcando -15° facilmente, listamos alguns cuidados que devem ser levados em consideração na hora de arrumar sua mala:

  • Casacos de inverno: Algumas pessoas preferem comprar esses casacos já fora do Brasil, pelo motivo de já serem confeccionados com eficiência compatível com frio europeu e com vasta variedade de estilos. Se você é esse tipo de pessoa, não se esqueça de levar pelo menos um casaco (o mais quente que tiver) na bagagem, afinal, você precisa sobreviver no caminho entre o aeroporto e a loja (rsrs). No Brasil mesmo, você pode procurar por marcas que oferecem roupas apropriadas para temperaturas negativas, são casacos com “recheio” interno (de material sintético ou de pena, que ficam entre duas camadas de tecido), ou pelo menos com um forro simples, além do tecido externo. Leve em consideração também que capuzes são sempre bem-vindos. Lembre-se, aquela jaqueta jeans que usamos no inverno brasileiro, com uma única camada de tecido, é completamente ineficiente no inverno europeu;
  • Camisas, blusas e camisetas: Por ter mangas compridas e caimento mais ajustado ao corpo, o suéter é uma boa aposta para vir por baixo dos casacos de inverno. Aposte também nas blusas de botão mais grossas, como flanelas, por exemplo;
  • Calças, saias e vestidos: Entre suas peças, escolha as mais grossas e que cubram a maior parte do corpo possível. Se quiser apostar em saias ou vestidos, não se esqueça de levar meias-calças bem grossas para usar por baixo, além de casacos que cubram a perna;
  • Segunda pele: Um casaco de inverno com um suéter por baixo e uma única calça podem não ser suficientes para te manter confortável na maioria dos casos. Uma segunda pele por baixo é recomendável principalmente para quem quer passar longos períodos em ambientes externos. Na falta de segunda pele, opte por pelo menos uma T-shirt ou até mesmo blusas de manga comprida;
  • Calçados: Chuva e frio não combinam com calçados de tecidos permeáveis. Prefira botas e sapatos impermeáveis, de couro ou borracha, sempre fechados. E não se esqueça de caprichar na escolha de meias grossas;
  • Toucas, luvas e cachecóis: Não queremos congelar nossas orelhas e dedos, portanto, não se esqueça de levar luvas e toucas. E aqui vai uma dica especial para quem não abre mão de registrar todos os momentos da viagem com fotografias tiradas pelo smartphone: procure por luvas com a tecnologia “touch”, que permitem o toque à tela. Tirar a luva a cada clique pode ser bem desconfortável. Inclua pelo menos um cachecol na bagagem. Aliada a um bom casaco, a peça traz um conforto maior nos dias mais frios;
  • Hidratante labial: Embora não seja uma peça de guarda roupa, negligenciar o seu uso durante o inverno pode causar dolorosas rachaduras na boca.

Primavera – Se sua viagem está marcada para o período entre março e maio, você vai aproveitar, então, a primavera alemã. Ah, a primavera… As luzes e cores naturais substituem as artificiais, o frio extremo vai indo embora e um clima de bom humor ganha o senso coletivo. Os cafés abrem suas mesinhas externas e as enfeitam com as mais coloridas flores. É a época perfeita para um piquenique, um café à céu aberto ou um simples passeio pelo jardim. Ainda consideramos o início da estação um período predominantemente frio, principalmente levando em consideração o senso comum brasileiro. Porém, vale lembrar que a primavera, assim como o outono, está entre o inverno e o verão, ou seja, quanto mais próximo do inverno, mais frio, e quanto mais próximo do verão, mais quente. Leve isso em consideração quando estiver arrumando sua mala:

  • Casacos: Ainda imprescindíveis. Recomendamos que leve pelo menos um casaco de inverno, só para garantir, principalmente se sua viagem acontece no início da estação, embora jaquetas e casacos mais leves tendem a retomar às ruas;
  • Camisas, blusas e camisetas: Para peças de manga comprida, você pode apostar em tecidos mais leves. Para peças de manga curta, prefira tecidos mais grossos. Lembre-se de que aqui você está entre o inverno e o verão, pense em fazer uma mala bem equilibrada;
  • Calças, saias e vestidos: Desde que leve também meias-calças  e casacos para garantirem conforto nos dias frios, você também deve apostar em peças mais leves, para os dias mais quentes e ensolarados. O equilíbrio segue sendo a regra;
  • Segunda pele: Não se faz tão necessário quanto no inverno. Em dias mais frios, multiplicar as blusas, além do casaco, já se faz eficiente;
  • Calçados: Mais democrática que o inverno, a primavera permite sandálias abertas em seus dias mais quentes. Tênis de tecidos permeáveis proporcionam maior conforto durante essa estação. Os calçados fechados ainda devem ser levados na bagagem para eventos mais formais ou para os dias chuvosos.
  • Toucas, luvas e cachecóis:  Ainda se fazem necessários, dependendo da época da estação e sua resistência ao frio. Mas, agora, você pode investir em cachecóis e toucas mais leves;

Verão – Se você visita a Alemanha entre junho e agosto, você vai aproveitar o verão. Essa estação a gente tira de letra! Arrumar as malas para visitar um lugar cujas temperaturas giram em torno de 20°, 30° e até 40° não parece desafiador. Procure variar as peças de acordo com seu estilo e conforto, abuse de peças leves, sandálias abertas, tênis confortáveis, roupas de banho, chapéus que protejam do sol e, só para garantir, algumas pecinhas para um frio ameno, caso faça em algum dia. Por último, mas não menos importante, filtro solar. Não que você possa esquecê-lo nas outras estações do ano, mas dê uma atenção especial a ele nessa época;

Outono – Entre setembro e novembro. Assim como a primavera, é uma estação de transição entre as estações mais extremas do ano, ou seja, quanto mais próximo do verão, mais quente, e quando mais próximo do inverno, mais frio. Para aproveitar esse cenário lindo e alaranjado da melhor maneira possível, faça uma mala mista, assim como já vimos na primavera. Casacos são indispensáveis. Toucas, luvas e cachecóis podem ser necessários. Porém, não se esqueça de levar algumas peças mais leves para os dias mais quentes e ensolarados.

Além das dicas acima, recomendamos que você sempre verifique, antes de viajar, a previsão do tempo do seu local de destino. Com esses cuidados, independente da estação do ano, sua viagem só tratá momentos prazerosos 🙂

E você? Durante qual estação do ano pretende conhecer a Alemanha? Conte pra gente nos comentários! E boa viagem 🙂

Este ano, no dia 09 de novembro de 2019, a queda do Muro de Berlim completa 30 anos. Esta é uma data marcante não só para a cidade mas também para o mundo, que acompanhou a divisão do país após a Segunda Guerra Mundial. Hoje apontaremos algumas curiosidades sobre o Muro de Berlim, desde sua criação até sua queda.

A história da criação do Muro começa antes mesmo de sua edificação: precisamos entender os acontecimentos que determinaram sua construção. Com o fim da Segunda Guerra, a Alemanha foi dividida entre os EUA, Reino Unido, França e União Soviética. A Alemanha Oriental, ao leste, era administrado pela República Democrática Alemã (RDA), sob influência da União Soviética. A Oeste estavam os outros países já citados, representando a Alemanha Ocidental que logo passou a se chamar República Federal Alemã (RFA). 

Berlim, que estava localizada na parte de domínio soviético, também foi dividida em quatro zonas, de acordo com a separação já mencionada. A economia da Alemanha Ocidental chamava a atenção por ser bastante sólida e atraía milhares de viajantes do outro lado. Com a situação política e econômica se deteriorando, cada vez mais pessoas deixavam a Alemanha Oriental. A tensão neste período de Guerra Fria era tão constante que a Alemanha Ocidental, se aproveitando da localização de Berlim, tinha bases da CIA e do MI6 para espionar o lado rival. Dentro da lógica de disputa que ali se iniciava, qualquer informação poderia ser usada para minar os planos inimigos. 

Finalmente, no dia 13 de agosto de 1961, a partir da 1h da manhã a União Soviética começava a construir o primeiro Muro para tentar dar fim às tentativas de fuga. Pouco antes, logo que os rumores da construção do Muro começaram a surgir, Walter Ulbricht, líder político da RDA, disse a seguinte frase: “Ninguém tem a intenção de erguer um Muro“. Ao mesmo tempo em que os policiais se organizavam para compor uma corrente humana na fronteira, arames farpados, tanques, trincheiras, postes de concreto e todo um sistema de construção era organizado de forma rápida, para que a “Cortina de Ferro” começasse a ser efetivamente erguida. O Muro de Berlim estava sendo construído e dividiria a cidade por 28 anos.

Ao analisar os dados percebemos que, para que o governo da Alemanha Oriental fosse mantido, a construção do Muro era fundamental e mais do que urgente. De 1945 a 1961, mais de 3 milhões de pessoas fugiram do lado Oriental para os setores da Alemanha Ocidental. Somente em julho de 1961 houveram 30 mil tentativas de fuga bem sucedidas. A construção do Muro colocaria um basta ou ao menos evitaria, mais efetivamente, que o êxodo se perpetuasse.

Nos meses seguintes, a construção do Muro prosseguiu lentamente: inicialmente utilizando uma estrutura simples de concreto armado que, com o passar dos anos, se transformou em algo muito mais complexo. Em determinado período haviam dois Muros, com torres de observação e a “zona da morte” entre eles, patrulhados por soldados e cães, impedindo qualquer um de escapar. Criou-se uma verdadeira fortaleza para dificultar as tentativas de fuga que continuavam ocorrendo. 

Estima-se que ao menos 1.393 pessoas tenham morrido tentando atravessar o Muro. Esse número continua crescendo à medida que novas vítimas são investigadas. Outra estimativa importante contabiliza 5 mil casos bem sucedidos de fuga de 1961 a 1989. Muitas dessas fugas se deram logo no início da construção do Muro, quando ele ainda era precário e, portanto, as chances de escapar eram maiores. As tentativas iam das mais simples às mais elaboradas: balão de ar quente, aviões ultraleves, a construção de um túnel e tantas outras ideias audaciosas.

Com a derrocada e perda de poder da União Soviética e as mudanças políticas de Gorbachev, principalmente a respeito de como o bloco comunista encarava as relações internacionais, o cenário foi sendo transformado. Em 09 de outubro de 1989, um mês antes da queda do Muro, a manifestação de meio milhão de pessoas em Leipzig marcou a história ao pedir por mudanças.  

O porta-voz do governo da RDA, numa coletiva de imprensa ao vivo, anunciou a nova legislação sobre viagens internacionais de cidadãos da Alemanha Oriental. Ao ser perguntado quando a lei entraria em vigor, ele respondeu: “Pelo que sei, ela entra já, imediatamente”. Os cidadãos começaram a seguir rumo às fronteiras do Muro e, inicialmente, os guardas, que não tinham informações claras, tentavam conter a aglomeração que se formava. Horas depois as autoridades decidiram abrir, de fato, as fronteiras do Muro. Assim, na noite do dia 09 de novembro de 1989, de forma imprevisível, caía um dos símbolos mais marcantes da Guerra Fria: o Muro de Berlim.

Este ano a queda do Muro completa 30 anos e a data será amplamente celebrada por toda a cidade. Atualmente é possível visitar algumas de suas partes restantes e conhecer ainda mais dessa cidade tão incrível e complexa que é Berlim. Não deixe de acompanhar as novidades por aqui pois traremos mais informações sobre esta data tão importante.