No início de 2019, todos assistimos com muita tristeza um dos mais emblemáticos símbolos da arquitetura gótica, e Patrimônio Mundial da Humanidade, sendo destruído pelo fogo: a Catedral de Notre Dame. A partir de então, muito se falou sobre esse estilo arquitetônico que surgiu na Idade Média entre os sécs. XII e XV. Mas como ele surgiu e se manifestou na Europa? Hoje falaremos sobre a arquitetura gótica e sua relevância em todo o mundo. 

Por ter sido criada na França, inicialmente, a arquitetura gótica era denominada apenas como Obra Francesa e foi criada como uma forma de oposição à arquitetura românica, até então amplamente difundida pela Idade Média. Durante o Renascimento, ela passou a ser conhecida como gótica, porém a denominação era usada de forma pejorativa, já que neste período o estilo Gótico era visto como algo bárbaro e atrasado. O termo “gótico” provavelmente está relacionado aos Godos (ou Goten em alemão), que eram um dos antigos povos germânicos e foram responsáveis por muitas das invasões ao Império Romano. 

Era bastante provável que o pensamento renascentista taxasse a arquitetura gótica como “monstruosa” por ela ter sido basicamente pautada nos valores da Igreja Católica. As catedrais e igrejas eram grandiosas para a época, com portais e tímpanos feitos com inúmeros detalhes. Os homens deveriam se sentir, portanto, ínfimos perante a grandiosidade divina que se refletia através dos templos. Diz-se, portanto, que a arquitetura gótica era um trunfo da Igreja Católica. Já o Renascimento, período histórico posterior ao Gótico, se contrapunha aos valores medievais que colocavam Deus como o centro de tudo e, por isso, o termo “humanismo” foi adotado neste momento. O Humanismo era, desta forma, a ideia oposta aos ideais da Idade Média e se utilizava do antropocentrismo para colocar o homem como centro do universo e medida de todas as coisas. O racionalismo, mais um dos pilares dos ideais renascentistas, buscava retomar o empirismo e o conhecimento humano a respeito da matemática, além de várias outras ciências, assim como era na Antiguidade Clássica. 

Catedral de Milão, uma das referências do estilo na Itália.

Como a arquitetura gótica passou a ser uma referência em seu tempo, ela perdurou e acompanhou os avanços econômicos e o surgimento da burguesia na Europa. Por conta dessa influência, alguns edifícios não religiosos passaram a adotar o mesmo estilo arquitetônico. Em Bruges, na Bélgica, temos a Hospedaria, cujo prédio foi inspirado pela arquitetura gótica. O local se trata de um antigo centro de poder e riqueza, feito no início do século XV. O edifício era ocupado pelos membros mais distintos da sociedade. A torre alta e elegante da construção é, talvez, a parte mais marcante da Praça Jan van Eyck, onde se encontra. O local era bastante adequado para acolher os comerciantes e políticos de alto escalão e receber parceiros comerciais internacionais. O prédio ao lado, a Casa de Pedágio, também em estilo gótico, complementava perfeitamente as necessidades das operações comerciais. Precisamos mencionar ainda a praça que presta homenagem a Jan van Eyck, um pintor flamengo do período gótico que retratava a vida urbana e o nascimento da burguesia em sua época. Percebemos, portanto, que a praça é um local que acata as necessidades da burguesia que estava em ascensão, além de fazer homenagem ao pintor célebre da arte gótica que viveu e morreu em Bruges. O local retrata, por si só, toda a essência do período Gótico. Além disso, ainda em Bruges, temos também o Belfort, a Igreja de Nossa Senhora, a Prefeitura da cidade, e outros prédios relevantes que apresentam o mesmo estilo arquitetônico. 

Catedral de Colônia, Alemanha.

Na Alemanha também temos alguns prédios góticos bem marcantes. Entre eles, podemos citar a Catedral de Lübeck (cidade localizada no norte do país), a Jakobskirche (Igreja de São Tiago em Rothenburg) e diversos outros locais. Uma das construções mais importantes na Alemanha é a Catedral de Colônia, que iniciou sua construção no período Gótico mas foi concluída apenas no Neogótico. Ela demorou, portanto, 632 anos para ser finalizada. Contaremos mais sobre sua história em publicações futuras aqui no blog, então fique atento e cadastre seu e-mail para receber notificações de novos artigos.

Para reconhecer o estilo Gótico, precisamos atentar para seus detalhes:

Atenção para o arcobotante dando apoio à estrutura. Igreja de Nossa Sra. em Bruges, Bélgica.

A altura de suas igrejas é uma das principais características, pois elas costumam ter arcobotantes, que eram estruturas que davam apoio a paredes muito altas. Inicialmente, eles eram utilizados apenas como arcos de apoio, mas, com o tempo e evolução do estilo, eles foram se tornando parte da arquitetura e ganhando ornamentos no mesmo estilo de suas construções.

Exemplo do teto com abóbadas em cruzaria na Catedral de Winchester, uma das maiores de toda a Europa.

Outra característica marcante são as abóbadas em cruzaria, que formam os impressionantes tetos nas igrejas. Já os arcos ogivais eram mais leves e mais fortes quando comparados ao estilo Românico. Por esse motivo, também, o estilo Gótico permitia a construção de paredes mais altas.

Vitrais da Sainte-Chapelle, Paris.

Os vitrais compõem mais um dos principais diferenciais da arquitetura gótica. Diante do novo estilo, eles ganharam mais cores e tamanho, trazendo mais luminosidade para o interior das igrejas e catedrais. A construção de vitrais maiores foi possível graças ao tamanho das paredes e a luminosidade que incidia para dentro das igrejas servia para indicar o vínculo com o sagrado.

Exemplar de Rosácea na Catedral de Notre Dame, Paris.

Além disso, as rosáceas também ajudavam a trazer mais luz e ficavam quase sempre posicionadas nos portais de entrada, geralmente em maior altura do que os vitrais. Os florões, por sua vez, marcam sobretudo os pontos mais altos das áreas externas. Eles serviam como decoração e tinham formato de flor (geralmente a flor-de-lis).

Parte do portal da Catedral de Colônia, Alemanha.

Os portais de entrada eram repletos de detalhes e os tímpanos, que retratavam histórias bíblicas, ajudavam a ornamentar.

Vista da gárgula guardando a Catedral de Notre Dame, Paris.

Outro elemento muito importante do período são as gárgulas, que além de supostamente guardar as igrejas e decorá-las, ainda protegiam as fachadas ao escoar a água para longe. Já as estátuas decoravam a parte interna e externa das igrejas e retratavam figuras religiosas. As torres das igrejas também impressionavam por sua altura, completando a imponência das construções góticas.

Agora que você já conhece as principais características e um pouco da história da arquitetura gótica, que tal procurar fotos de igrejas que já visitou para tentar encontrar esses elementos listados acima, típicos do período? Assim a gente mata um pouquinho da saudade de viajar e ainda aproveita todo esse conhecimento nas próximas viagens. 

Você gosta de castelos? Sim?! Então saiba que a Alemanha possui vários e eles são incríveis! Diante de tanta beleza decidimos fazer um ranking entre os mais famosos castelos do país. É um mais incrível que o outro. Vem conferir nossa lista!

5º lugar: Schwerin

O Castelo de Schwerin está localizado na cidade com o mesmo nome, no norte da Alemanha, mais precisamente a uma hora de distância de Hamburgo. Os vestígios mais antigos de sua construção datam de 942, embora outros indícios de fortalezas anteriores já tenham sido encontrados no mesmo local. Estudiosos apontam que já haviam pessoas vivendo na região há milhares de anos. 

Após sofrer diversas alterações ao longo de sua história, sua forma atual foi construída e restaurada no século XIX pelo Grão-Duque Friedrich Franz II de Mecklenburg-Schwerin. Para isso, novas construções foram adicionadas às partes mais antigas do castelo. Os setores mais aproveitados datam do Renascimento e foram integrados ao novo Castelo que estava sendo construído. A torre mais alta, a cúpula dourada e o portal principal também são do séc. XIX. Por ter sido restaurado em um período relativamente recente e preservar vários de seus aspectos arquitetônicos antigos de outros séculos, podemos classificar seu estilo como historicista. É possível fazer uma visita interna e conhecer as salas mais importantes. A Sala do Trono, por exemplo, é a mais famosa do castelo e cheia de belos detalhes.

4º lugar: Burg Eltz

A criação de boa parte dos castelos medievais que conhecemos hoje começou nos séculos IX e X. O que eram apenas pequenas casas senhoriais cercadas se tornariam castelos fortificados feitos com paredes e muralhas robustas. O principal período de construção do Burg Eltz, no entanto, foi do século XI ao XIII, durante a dinastia Hohenstaufer. Neste período tivemos a primeira menção ao nome Eltz em documentos históricos. O Castelo foi construído estrategicamente próximo de uma das rotas comerciais mais importantes do Império Alemão, junto ao rio Mosel. A visita interna é também bastante impressionante devido às belezas dos salões do Castelo.

3º lugar: Heidelberg

A história do Castelo de Heidelberg começou quando os príncipes eleitores da região se mudaram para a cidade. Ele foi mencionado pela primeira vez no séc. XIII e seria, posteriormente, uma das maiores referências de arquitetura durante o Renascimento. Até a Guerra dos Trinta Anos, o local possuía um dos Castelos mais impressionantes do Sacro Império Romano-Germânico. Os príncipes eleitores fizeram várias intervenções na arquitetura do lugar com o passar do tempo. Cada nova intervenção era uma obra-prima da arquitetura renascentista. Suas magníficas fachadas criam uma moldura resplandecente no pátio do Castelo. 

No final do século XVII, o local foi atacado várias vezes e destruído pelos franceses na Guerra dos Nove Anos, também conhecida como Guerra da Grande Aliança. No séc. XVIII, após reparos, o local foi danificado por um incêndio. Desta vez, porém, dois raios foram os responsáveis por deixar o Castelo em ruínas. Já no séc. XIX, o movimento Romântico fez com que suas ruínas fossem revalorizadas, pois eram uma visão de devastação e, ao mesmo tempo, beleza. Elas simbolizavam o espírito desse novo movimento, o que culminou na elevação do Castelo de Heidelberg como monumento nacional.

Embora o tempo o tenha modificado completamente, a fama do local se mantém até hoje bem como sua beleza histórica. Entre os locais de maior interesse está um dos maiores barris de vinho do mundo e o Museu da Farmácia. A visita interna guiada é bem interessante, com lendas e mitos do local relatados aos visitantes.

2º lugar: Hohenzollern

A primeira menção ao Castelo se deu no séc. XIII. Não se sabe exatamente qual era seu tamanho naquele período mas sua construção provavelmente se iniciou no começo do séc. XI. Ele já foi chamado de “a casa mais fortificada da Alemanha”. No início do séc. XV ele foi totalmente destruído, mas, ainda no mesmo século, foi reconstruído ainda maior e mais forte do que antes. 

Durante o séc. XIX, com sua manutenção negligenciada, ele se desfacelou em ruínas, mas, no final do mesmo século, o rei Frederico William IV o restaurou e recriou um dos mais imponentes Castelos da Alemanha. Em estilo neogótico, ele possui muitas torres e é uma obra-prima da arquitetura de seu tempo. Sua localização em uma alta montanha da Suábia dá imponência ao Castelo. A visita interna é feita por meio de tour guiado e seus salões impressionam pela beleza. Os diversos vales e florestas que cercam o Castelo proporcionam uma belíssima vista.

1º lugar: Neuschwanstein

Em primeiro lugar está o castelo que inspirou Walt Disney a criar o Castelo da Cinderela. Quando no séc. XIX a Baviera foi forçada a aceitar uma aliança após perder a guerra contra a Prússia, o rei Ludwig II perdeu sua soberania. A partir de então ele começou a planejar seu próprio reino para compensar sua falta de autoridade e voltar a ser um rei de “verdade”, idealizando o que viria a ser o Castelo Neuschwanstein. O Castelo Hohenschwangau, muito próximo do Neuschwanstein e onde o rei passou sua infância, era decorado com cenas de lendas e poesias medievais. Ludwig, quando jovem, o tinha como um de seus locais favoritos e adorava passar os verões admirando os belos cenários nas montanhas.

Entre as lendas eternizadas no Castelo Hohenschwangau está a do cavaleiro Lohengrin, conhecido como o Cavaleiro do Cisne e com o qual Ludwig se identificava durante sua infância. Richard Wagner, amigo pessoal de Ludwig, já havia dedicado uma ópera à lenda de Lohengrin no final do séc. XIX. O cisne, além de estar presente na história, era também o animal símbolo dos brasões dos condes de Schwangau. Segundo a tradicional lenda alemã, Lohengrin era um misterioso cavaleiro que chega em um barco guiado por um cisne para salvar uma nobre donzela em perigo. Eles se casam, mas sob a condição de que ela nunca perguntasse sobre suas origens. Tempos depois ela esquece da promessa e acaba lhe perguntando. Ele conta sua história, mas logo a abandona e parte no mesmo barco guiado pelo cisne.

Ao visitar a parte interna do Castelo Neuschwanstein, você verá a imagem de Lohengrin desenhada em uma das belas salas. Uma curiosidade interessante é que o Castelo nunca foi completamente concluído, isso porque o rei tinha projetos megalomaníacos e pretendia fazer algo ainda maior. Ele também nunca quis que o local fosse aberto à visitações. Após sua morte, a construção foi finalizada no estágio em que se encontrava e hoje, ironicamente, ele é um dos castelos mais visitados do mundo.

Como a Rota foi criada?

Este ano a Rota Romântica, localizada na Baviera e a que mais atrai turistas em toda a Alemanha, completa 70 anos de existência. Você certamente já ouviu falar sobre ela ou viu alguma linda fotografia na internet, mas como esse circuito de 29 cidades ganhou tanta fama? Precisamos, antes de tudo, apresentar sua história.

Quando a Rota Romântica foi criada, em 1950, alguns países do mundo, incluindo a Alemanha, viviam o chamado “milagre econômico”. O país, inclusive, havia acabado de se libertar do regime nazista e passava por um momento de recomeço. Era necessária, portanto, a criação de um local que simbolizasse esse novo momento da Alemanha e desvinculasse sua história do passado nazista. Surgia, assim, a Rota Romântica. Essa nova face do país deveria ser receptiva mas também recheada de riquezas culturais e história. A arquitetura local ajudava a construir esse novo cenário: casinhas em estilo enxaimel, treliças aparentes, castelos e vinhedos remetiam ao romantismo da nova Rota que estava sendo criada.

No início, os soldados americanos eram os principais turistas na Rota. Eles traziam os familiares para conhecer o local e todos ficavam impressionados com suas belezas e riquezas medievais. Atualmente não é diferente. Não existe na Alemanha nenhuma rota tão famosa quanto esta. Ela vem sendo há bastante tempo o principal destino para turistas de diversos países. Seja conhecendo a Rota Romântica inteira ou parando apenas em algumas das cidades mais famosas, ela certamente irá lhe surpreender. 

No trecho mais ao Sul existem vários vestígios dos Romanos, como em Augsburg, uma das cidades mais antigas do país. Em 47 a.C., eles foram os responsáveis pela criação da Via Claudia Augusta que começava na Itália, passava pela Áustria e ia até Augsburg, seguindo o rio Lech. Já podemos perceber que há história de sobra. 

Castelo de Neuschwanstein visto da Marienbrücke

Qual a melhor época do ano para visitá-la?

A verdade é que cada época do ano possui belezas únicas. Se você prefere estações mais quentes, programe uma viagem entre maio e setembro. Agosto costuma ser um mês de bastante calor e, por isso, atrai uma enorme quantidade de turistas. Se pretende ver neve, é melhor programar a visita para os meses de dezembro a fevereiro. Muito cuidado com viagens entre o Natal e o Ano Novo. Os alemães costumam tirar férias neste período e existem grandes chances de encontrar muitos comércios fechados. 

Qual o melhor meio de transporte?

Se dirigir não é um problema, você pode aproveitar para se locomover de carro pela Rota Romântica. É bem fácil alugar um carro em Würzburg (início da Rota) ou até mesmo em Frankfurt (por onde chega a maioria dos turistas). Se preferir, também é possível fazer a Rota de trem, mas você precisa ter atenção nas estações ao fazer baldeação.

Plönlein, um dos locais mais fotografados de Rothenburg

Quantos dias são necessários para realizar o trajeto?

Como a maioria das pessoas não dispõe de tanto tempo para conhecer as 29 cidades da Rota, aconselhamos separar de 4 a 5 dias, no mínimo, para conhecer com calma os principais locais do trajeto. Algumas cidades são pequeninas e é possível conhecer o centro histórico em 3 ou 4 horas de passeio. Outras exigem mais tempo, por vezes até um dia inteiro.

É possível fazer um bate-volta de Munique?

Se estiver hospedado em Munique, você pode aproveitar e escolher uma das cidades da Rota Romântica para passar o dia como, por exemplo, Rothenburg, Landsberg ou o Castelo Neuschwanstein.

Quer saber mais sobre a Rota Romântica? Neste link a gente fala mais sobre as principais cidades. Nós lhe ajudamos a planejar sua viagem, oferecemos diversos tipos de serviços e passeios para transformar suas férias em uma verdadeira experiência repleta de boas lembranças. Contate-nos!