No início de 2019, todos assistimos com muita tristeza um dos mais emblemáticos símbolos da arquitetura gótica, e Patrimônio Mundial da Humanidade, sendo destruído pelo fogo: a Catedral de Notre Dame. A partir de então, muito se falou sobre esse estilo arquitetônico que surgiu na Idade Média entre os sécs. XII e XV. Mas como ele surgiu e se manifestou na Europa? Hoje falaremos sobre a arquitetura gótica e sua relevância em todo o mundo. 

Por ter sido criada na França, inicialmente, a arquitetura gótica era denominada apenas como Obra Francesa e foi criada como uma forma de oposição à arquitetura românica, até então amplamente difundida pela Idade Média. Durante o Renascimento, ela passou a ser conhecida como gótica, porém a denominação era usada de forma pejorativa, já que neste período o estilo Gótico era visto como algo bárbaro e atrasado. O termo “gótico” provavelmente está relacionado aos Godos (ou Goten em alemão), que eram um dos antigos povos germânicos e foram responsáveis por muitas das invasões ao Império Romano. 

Era bastante provável que o pensamento renascentista taxasse a arquitetura gótica como “monstruosa” por ela ter sido basicamente pautada nos valores da Igreja Católica. As catedrais e igrejas eram grandiosas para a época, com portais e tímpanos feitos com inúmeros detalhes. Os homens deveriam se sentir, portanto, ínfimos perante a grandiosidade divina que se refletia através dos templos. Diz-se, portanto, que a arquitetura gótica era um trunfo da Igreja Católica. Já o Renascimento, período histórico posterior ao Gótico, se contrapunha aos valores medievais que colocavam Deus como o centro de tudo e, por isso, o termo “humanismo” foi adotado neste momento. O Humanismo era, desta forma, a ideia oposta aos ideais da Idade Média e se utilizava do antropocentrismo para colocar o homem como centro do universo e medida de todas as coisas. O racionalismo, mais um dos pilares dos ideais renascentistas, buscava retomar o empirismo e o conhecimento humano a respeito da matemática, além de várias outras ciências, assim como era na Antiguidade Clássica. 

Catedral de Milão, uma das referências do estilo na Itália.

Como a arquitetura gótica passou a ser uma referência em seu tempo, ela perdurou e acompanhou os avanços econômicos e o surgimento da burguesia na Europa. Por conta dessa influência, alguns edifícios não religiosos passaram a adotar o mesmo estilo arquitetônico. Em Bruges, na Bélgica, temos a Hospedaria, cujo prédio foi inspirado pela arquitetura gótica. O local se trata de um antigo centro de poder e riqueza, feito no início do século XV. O edifício era ocupado pelos membros mais distintos da sociedade. A torre alta e elegante da construção é, talvez, a parte mais marcante da Praça Jan van Eyck, onde se encontra. O local era bastante adequado para acolher os comerciantes e políticos de alto escalão e receber parceiros comerciais internacionais. O prédio ao lado, a Casa de Pedágio, também em estilo gótico, complementava perfeitamente as necessidades das operações comerciais. Precisamos mencionar ainda a praça que presta homenagem a Jan van Eyck, um pintor flamengo do período gótico que retratava a vida urbana e o nascimento da burguesia em sua época. Percebemos, portanto, que a praça é um local que acata as necessidades da burguesia que estava em ascensão, além de fazer homenagem ao pintor célebre da arte gótica que viveu e morreu em Bruges. O local retrata, por si só, toda a essência do período Gótico. Além disso, ainda em Bruges, temos também o Belfort, a Igreja de Nossa Senhora, a Prefeitura da cidade, e outros prédios relevantes que apresentam o mesmo estilo arquitetônico. 

Catedral de Colônia, Alemanha.

Na Alemanha também temos alguns prédios góticos bem marcantes. Entre eles, podemos citar a Catedral de Lübeck (cidade localizada no norte do país), a Jakobskirche (Igreja de São Tiago em Rothenburg) e diversos outros locais. Uma das construções mais importantes na Alemanha é a Catedral de Colônia, que iniciou sua construção no período Gótico mas foi concluída apenas no Neogótico. Ela demorou, portanto, 632 anos para ser finalizada. Contaremos mais sobre sua história em publicações futuras aqui no blog, então fique atento e cadastre seu e-mail para receber notificações de novos artigos.

Para reconhecer o estilo Gótico, precisamos atentar para seus detalhes:

Atenção para o arcobotante dando apoio à estrutura. Igreja de Nossa Sra. em Bruges, Bélgica.

A altura de suas igrejas é uma das principais características, pois elas costumam ter arcobotantes, que eram estruturas que davam apoio a paredes muito altas. Inicialmente, eles eram utilizados apenas como arcos de apoio, mas, com o tempo e evolução do estilo, eles foram se tornando parte da arquitetura e ganhando ornamentos no mesmo estilo de suas construções.

Exemplo do teto com abóbadas em cruzaria na Catedral de Winchester, uma das maiores de toda a Europa.

Outra característica marcante são as abóbadas em cruzaria, que formam os impressionantes tetos nas igrejas. Já os arcos ogivais eram mais leves e mais fortes quando comparados ao estilo Românico. Por esse motivo, também, o estilo Gótico permitia a construção de paredes mais altas.

Vitrais da Sainte-Chapelle, Paris.

Os vitrais compõem mais um dos principais diferenciais da arquitetura gótica. Diante do novo estilo, eles ganharam mais cores e tamanho, trazendo mais luminosidade para o interior das igrejas e catedrais. A construção de vitrais maiores foi possível graças ao tamanho das paredes e a luminosidade que incidia para dentro das igrejas servia para indicar o vínculo com o sagrado.

Exemplar de Rosácea na Catedral de Notre Dame, Paris.

Além disso, as rosáceas também ajudavam a trazer mais luz e ficavam quase sempre posicionadas nos portais de entrada, geralmente em maior altura do que os vitrais. Os florões, por sua vez, marcam sobretudo os pontos mais altos das áreas externas. Eles serviam como decoração e tinham formato de flor (geralmente a flor-de-lis).

Parte do portal da Catedral de Colônia, Alemanha.

Os portais de entrada eram repletos de detalhes e os tímpanos, que retratavam histórias bíblicas, ajudavam a ornamentar.

Vista da gárgula guardando a Catedral de Notre Dame, Paris.

Outro elemento muito importante do período são as gárgulas, que além de supostamente guardar as igrejas e decorá-las, ainda protegiam as fachadas ao escoar a água para longe. Já as estátuas decoravam a parte interna e externa das igrejas e retratavam figuras religiosas. As torres das igrejas também impressionavam por sua altura, completando a imponência das construções góticas.

Agora que você já conhece as principais características e um pouco da história da arquitetura gótica, que tal procurar fotos de igrejas que já visitou para tentar encontrar esses elementos listados acima, típicos do período? Assim a gente mata um pouquinho da saudade de viajar e ainda aproveita todo esse conhecimento nas próximas viagens. 

Famoso pelas desbravadas expedições marítimas, o povo Viking é originário da Escandinávia, região que abrange as atuais Dinamarca, Noruega e Suécia, tendo o apogeu de sua era entre os séculos VIII e XI. 

Expedições Marítimas

As expedições, segundo os historiadores, eram motivadas principalmente pela procura de riquezas, pela conquista de solos férteis e, basicamente, por ambição de poder. Embora tudo isso fosse regado a muito sangue e violência, não podemos atribuir ao Vikings exclusividade do uso de violência. Vale ressaltar que as sociedades cristãs da época também utilizavam de práticas violentas que qualquer ética moderna condenaria para a manutenção da lei e da ordem.

Hierarquia e Ordem Social

Assim como na hierarquia social cristã, o povo Viking também atribuía ao rei a autoridade máxima de um determinado reino, deixando, porém, para os nobres o segundo lugar de poder. Logo abaixo dos nobres vinham os homens livres e, por último, os escravos. Muitas das principais tomadas de decisão, como manutenção de leis, definição das punições aplicadas aos condenados e estratégias de expedições, ocorriam através de uma espécie de reunião diante do rei ou de algum representante da nobreza.

Crença

Diferentemente dos monoteístas cristãos, a crença Viking se baseava na mitologia nórdica, tendo a história de seus deuses propagadas verbalmente pelo povo, através do diálogo. Odin e Thor estão entre os deuses mais populares da mitologia, sendo o primeiro considerado pelos Vikings como o deus dos deuses e o segundo como o detentor do poder sobre os céus e trovões.

Declínio

A partir do século X, durante a intensa cristianização europeia vivida na idade média, a cultura Viking foi perdendo sua força. Tal evento, diferentemente do que muitos acreditam, aconteceu de forma lenta e gradual.

Memória

Na Dinamarca, existem alguns lugares específicos onde podemos nos aprofundar sobre a cultura Viking, como o Museu Nacional da Dinamarca, localizado em Copenhage, e Museu do Barco Viking, localizado em Roskilde, por exemplo.

Quer saber mais? Conte pra gente nos comentários ou envie um e-mail para contato@bordejo.com 🙂

Continuando com a nossa série “Memória, cultura e sabores”, finalmente, chega a hora de explorarmos toda a pluralidade de Berlim através de suas delícias gastronômicas.

Como vimos no post sobre sua memória, a cidade que um dia já foi literalmente dividida por um muro, hoje, é ponto de encontro de inúmeras culturas. Essa característica, obviamente, também se estende ao cenário gastronômico de Berlim, onde, além dos pratos tipicamente alemães, delícias dos quatro cantos do mundo também são facilmente encontradas.

Dizer que a cidade não é o lugar certo para provar comida alemã seria um tanto quanto injusto, porém, vale ressaltar que Berlim é, também, o lugar certo para provar os diferentes sabores do mundo sem sair da cidade. Seja sua preferência um bom restaurante asiático, um tradicional e alemão currywurst ou até mesmo o típico “sanduíche” berlinense de origem turca conhecido como döner kebap, aqui você pode provar, praticamente, de tudo. E, sim, a cidade oferece muitas opções veganas. Podemos encontrar, no mínimo, uma versão vegana para cada tipo de comida, além, é claro, das originalmente veganas, como falafeis e alguns pratos asiáticos, por exemplo.

Culinária de Origem Turca

Após a Segunda Guerra, o volume da mão de obra alemã não estava sendo suficiente para dar conta da crescente produção que a Alemanha Ocidental vivia. Em 30 de outubro de 1961, houve um acordo com a Turquia que previa que o país pudesse exportar mão de obra para Alemanha. Desde então, os turcos representam o maior grupo de imigrantes em território alemão e, por isso, podemos dizer que sua contribuição local vai muito além de construções físicas, mas, também, através dos hábitos alimentares, por exemplo.

Döner Kebap: O espeto giratório (ou churrasco grego, como é conhecido no Brasil) é uma comida de origem turca que foi adaptada para agradar o paladar alemão. Sua forma de “sanduíche” com molhos especiais e saladas, além do churrasco de espeto, é originalmente berlinense, porém, hoje, é um dos fast-foods mais populares do país inteiro. Para os vegetarianos, a dica é pedir um gemüsekebap no famoso Mustafas, localizado no descolado bairro de Kreuzberg.

Falafel: Também do Oriente Médio, o falafel pode ser encontrado frequentemente nas mesmas lanchonetes que vendem o famoso Döner Kebap. O bolinho de grão de bico, por si, é vegano e pode permanecer vegetariano a depender dos acompanhamentos. Assim como o Döner Kebab, o falafel frequentemente é acompanhado de molhos e saladas ensanduichados em pão sírio.

Culinária Tradicionalmente Alemã

Não é segredo pra ninguém que a salsicha é algo extremamente popular na Alemanha. O fácil armazenamento dos embutidos bem como seus longos prazos de validade são fatores convenientes para o país de clima predominantemente frio. Embora a modernidade e a privilegiada situação financeira do país nos dias atuais já permitam o cultivo e importação de alimentos que um dia alemães jamais sonhariam em comer, os embutidos seguem, culturalmente, como parte dos principais pratos da Alemanha.

Currywurst: Muitas cidades afirmam ter criado o currywurst. Os berlinenses, por sua vez, afirmam que o prato tenha sido inventado por Herta Heuwer, no bairro de Charlottenburg. A salsicha com curry é comumente acompanhada de pão e/ou batata frita, que geralmente são “temperados” com ketchup e maionese.

Berliner: É difícil afirmar a origem do pãozinho doce cuja forma e sabor da massa se assemelham ao nosso sonho, porém, o mesmo não poderia faltar na lista devido ao seu nome popular de Berliner (berlinense, em alemão). Diferentemente do sonho brasileiro, nele, o recheio mais comum é o de geléia de frutas vermelhas.

Culinária Asiática

Além das citadas acima, a culinária asiática também se faz bastante presente em Berlim. São diversas opções de restaurantes espalhados pela cidade. Separamos dois dos pratos mais típicos e populares por aqui:

Pho: O Pho é um dos pratos vietnamitas mais populares em Berlim e no mundo. Embora seu nome signifique originalmente “noodles de arroz”, hoje, o termo se refere à sopa por completo que, além do “macarrão”, brotos de feijão e ervas frescas são acrescidos ao caldo. Fica a critério do cliente escolher entre carne vermelha, de frango ou tofu como proteína.

Pratos à base de leite de coco: São várias as opções disponíveis, um exemplo desse estilo de comida é o Ca Ri Nuoc Dua Xao. Nele, curry (vermelho, amarelo ou verde), especiarias, vegetais e, a depender do ciente, carne vermelha, branca ou tofu são cozidos no leite de coco, formando uma base líquida, cremosa e bem saborosa. Na maioria dos casos, ao optar pelo tofu como proteína, você já estará escolhendo uma refeição vegana, uma vez que a base de leite de coco com especiarias, em sua maioria, não possui nenhum ingrediente de origem animal.

Obs.: Recomendamos sempre verificar os ingredientes no cardápio caso possua alguma restrição alimentar.

Gostou de conhecer Berlim conosco através de sua memória, cultura e sabores? Conte pra gente nos comentários o que mais gostou. Para mais informações, fale com a gente através do contato@bordejo.com 🙂

Dando continuidade à nossa série “Memória, cultura e sabores”, hoje, vamos abordar os aspectos culturais da cidade que sabe o verdadeiro significado do que chamamos de integração cultural. A presença da Alemanha nos capítulos históricos da arte clássica aliada à recente abertura ao novo (principalmente encabeçada pela capital do país) garantem a Berlim uma posição bastante ativa no cenário artístico mundial. A cidade parece saber que as diferenças culturais agregam à criatividade artística e, por isso, hoje, além de produzir, importa arte e artistas do mundo todo.

Do erudito à arte de rua, Berlim oferece atrações para todos os gostos e bolsos. Separamos alguns pontos que, juntos, provam toda essa diversidade. Vale a pena conhecê-los:

Pelo bairro de Mitte

O bairro mais central da cidade abriga seus principais museus e instalações artísticas, como a Ilha dos Museus e o Staatsoper, por exemplo. A casa de ópera da companhia Staatsoper Berlin, localizada na famosa Unter den Linden, é um dos espaços dedicados à arte mais antigos de toda Alemanha. Atualmente, o teatro exibe peças de concerto, óperas e balés (clássicos e contemporâneos). Além de sua casa principal, a companhia ainda exibe outros espetáculos no Deutsche Oper Berlin, localizado no bairro de Charlottenburg.

Ainda por Mitte e pelas artes clássicas, não podemos deixar de citar a Filarmônica de Berlim. Considerada uma das melhores orquestras do mundo, a Filarmônica possui sua própria casa de concerto localizada próximo à Potsdamer Platz, bem ao lado do Tiergarten. A arquitetura do teatro também é um espetáculo à parte. A moderna estrutura de formato um tanto quanto diferente, projetada por Hans Scharoun, garante ao público a melhor acústica que a arquitetura contemporânea poderia oferecer.

Por Prenzlauer Berg

O novo e o velho coabitam em perfeita harmonia no bairro em que a população majoritariamente jovem reside nos antigos prédios sobreviventes aos bombardeios. Por se localizar em uma área menos afetada pela guerra, a arquitetura antiga ainda prevalece no bairro, ao passo em que a população jovem recheia as construções e esquinas com muita arte e modernidade. Se ficar preso à uma única atração dentro de um ambiente formal e fechado não é muito a sua praia e, ao invés disso, você prefere relaxar ao ar livre enquanto aprecia inúmeras apresentações artísticas ao mesmo tempo, talvez o Mauerpark seja o lugar certo pra você. Descolado demais pra limitarmos ao rótulo de “jovem”, o espaço é ponto de encontro para públicos e artistas de todos os tipos e idades. Além de músicas, danças e performances, rola um mercado a céu aberto bem diversificado, onde você encontra comidas e bebidas (tradicionais ou veganas), além de diversos artigos de brechó, como câmeras antigas, roupas, discos, objetos de decoração etc. Importante dizer também que todas essas atrações podem ser experienciadas durante os domingos de primavera, verão e outono e, mais confortavelmente ainda, em dias de sol.

Pelo bairro de Kreuzberg

Não há como falar de cenário alternativo sem falar sobre Kreuzberg. O que antes era considerado apenas como um bairro pouco afastado do centro, hoje, é praticamente uma galeria a céu aberto. Por estar localizado na antiga parte de Berlim pertencente aos Estados Unidos (durante a Alemanha dividida no pós-guerra), o bairro serviu, através de seus habitantes, como grande porta de entrada para a globalização cultural, justificando, assim, a pluralidade artística do local. Aqui, você encontra famosos grafites espalhados por muros e paredes, entre eles uma obra dos brasileiros “Gêmeos”, intitulada “yellow man”.

Por Friedrichshain

Leu nossa matéria sobre a história de berlim e vai conhecer o East Side Gallery? Então aproveita e dá uma passadinha num espaço bem legal, não muito longe dali. O Urban Spree, espaço de 1700 m² dedicado à cultura urbana, é um mix de exposições, instalações artísticas, oficinas, concertos, loja de arte e um grande Biergarten. Com ambiente descontraído e uma curadoria bem bacana, é um excelente local para quem quer mergulhar em arte de maneira informal, porém, sem perder qualidade.

Gostou de nos acompanhar nessa viagem cultural? Quer conhecer tudo isso e muito mais pessoalmente? Fale com a gente através do contato@bordejo.com. Nós teremos prazer em te guiar! 🙂

Hoje, iniciamos nossa série de 3 matérias que visam trazer a essência da cidade através de sua memória, cultura e sabores. Se você gosta de história e quer conhecer Berlim, essa matéria é pra você!

Berlim é uma cidade que renasce a cada desafio histórico. A prática de aprender com os erros do passado a fim de não repeti-los é constantemente renovada na cidade que reúne história, diversidade cultural, conservadorismo e progressismo em convivência pacífica via de regra.

A cidade que já foi literalmente divida por um muro, hoje, abraça a integração de diferentes nacionalidades, culturas, crenças e religiões. Toda essa mistura cultural, claro, se transforma em matéria-prima riquíssima para o que chamamos de produção criativa, seja ela aplicada nas artes propriamente ditas ou incorporada aos deliciosos pratos servidos pelos restaurantes e lanchonetes da cidade. 

Com cicatrizes adquiridas ao longo de três grandes guerras (1ª Guerra Mundial, 2ª Guerra Mundial e Guerra Fria), pode-se dizer que Berlim respira história. Só de museus e memoriais, juntos, são mais de 170 espalhados pela cidade. Dentre eles, nós escolhemos alguns que não podem faltar no seu roteiro de viagem.

Ilha dos Museus

Como falar sobre museus sem falar da ilha “dedicada” a eles? Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1999, a Ilha dos Museus é parada obrigatória para quem não abre mão de programas histórico-culturais. Localizada no Rio Spree, a ilha comporta 5 museus mundialmente renomados: 

Museu Antigo (Altes Museum) – O mais antigo de seus vizinhos, construído na primeira metade do século XIX, abrigava inicialmente objetos da Realeza Prussiana. Hoje, o museu exibe peças da Grécia e Roma antigas.

Museu Novo (Neues Museum) – O museu reúne 9.000 objetos distribuídos por três grandes coleções históricas. Aqui, você viaja no tempo ao explorar a história da Europa e do Oriente Médio desde a Idade da Pedra até a Idade Média. Além do Busto de Nefertiti, atração principal do museu, a coleção de antiguidades egípcias ainda exibe várias outras peças que vão desde esculturas a uma enorme coleção de obras literárias, inclusive em papiro.

Antiga Galeria Nacional (Alte Nationalgalerie) – Também construído na segunda metade do século XIX, o museu chama bastante atenção devido à sua aparência altamente inspirada em templos antigos, valorizando suas imponentes colunas e escadarias. Aqui, você contempla obras do Classicismo ao Romantismo.

Museu Bode (Bode-Museum) Construído entre o final do século XIX e início do século XX, o museu carrega o nome de seu criador Wilhelm von Bode. Nele, podemos contemplar a Arte Bizantina, além de uma vasta coleção de moedas.

Museu Bode

Museu Pergamon (Pergamonmuseum) – Caçula, o mais novo dos museus já ocupa o posto de mais famoso da cidade. Seu nome faz referência ao Altar de Pérgamo (antigo templo grego construído para Zeus). Nele, você pode contemplar esculturas em tamanho real de algumas das principais construções da antiguidade, como o Portão do Mercado de Mileto, a Porta de Ishtar, a Fachada de Mshatta, além, é claro, do próprio Altar que dá nome ao museu.

Fora da Ilha dos Museus, a Topografia do Terror merece destaque pela sua importância histórica e social, principalmente se levarmos em consideração a crescente força da extrema direita na Alemanha e em outros países do mundo. Em 2010, em comemoração aos 65 anos do fim da Segunda Guerra, o local que havia assistido, entre 1933 e 1945, à tortura de mais de 15 mil opositores do governo nazista renasce como uma importante exposição de oposição ao horror. É impossível não se emocionar diante de tantos documentos e fotos que denunciam o verdadeiro terror vivido pelas vítimas do nazismo.

Topografia do Terror

Além dos Museus, os Memoriais se fazem bem presentes pela cidade, cumprindo bem o papel de reflexão sobre os erros do passado. Bem próximo ao Portão de Brandemburgo, você pode conhecer três memoriais que remontam o mesmo período, o da Alemanha nazista.

Memorial aos Judeus Assassinados da Europa – Maior dos três e inaugurado em 2005, o memorial propõe um espaço aberto de reflexão. A sensação de caminhar por entre os blocos é bem diferente da sensação que se tem ao observar a construção de fora. Ser “engolido” pelas construções robustas e padronizadas ao passo em que se perde a vista do horizonte, do futuro, da vida, da esperança é uma experiência, sem dúvida, bem intensa.

Memorial aos Judeus Assassinados da Europa

Memorial aos Homossexuais Perseguidos pelo Nazismo (Denkmal für die im Nationalsozialismus verfolgten Homosexuellen) Partindo do Memorial dos Judeus, do outro lado da rua, você encontra o Memorial dos Homossexuais Perseguidos pelo Nazismo. Construído em 2008, tinha como objetivo homenagear lésbicas e gays perseguidos e assassinados pelo governo nazista. Embora o nome do memorial se limite a “homossexuais”, a gente sabe (ou deveria saber) que as demais minorias discriminadas a partir da orientação sexual e/ou identidade de gênero devem ser igualmente lembradas. A construção é composta por um bloco único, semelhante ao do Memorial dos Judeus, com uma janelinha de vidro que nos permite assistir a um beijo homossexual, reproduzido em uma pequena tela.

Memorial aos Homossexuais Perseguidos pelo Nazismo

Memorial aos Sinti e Roma assassinados pelo nazismo (Denkmal für die im Nationalsozialismus ermordeten Sinti und Roma Europas)Construído em 2012, o Memorial homenageia os povos Sinti e Roma, popularmente conhecidos como Ciganos, que também foram perseguidos e assassinados pelo regime nacional-socialista. O memorial consiste em um tanque de água circular, calmo e silencioso, que exibe uma flor bem no meio, apoiada em uma estrutura sólida triangular.

Biblioteca Submersa (Versunkene Bibliothek)Em 1933, membros da união estudantil nazista alemã realizaram a primeira grande queima de livros, destruindo importantes obras da literatura. Livros de autores como Stefan Zweig, Heinrich Heine, Karl Marx e Kurt Tucholsky foram completamente queimados. Desde 1995, o memorial “Versunkene Bibliothek”, de Mischa Ullmann, nos lembra de tal episódio. A instalação é composta por prateleiras vazias que podem ser vistas a partir de um vidro transparente no chão, bem ao lado da citação de Henrich Heine, de 1820, que diz: “Isso foi apenas o começo; onde queimam-se livros, logo queimam-se pessoas”.

East Side Gallery – Localizada às margens do Spree e com 1316 metros de comprimento, a galeria ao ar livre é o “pedaço” contínuo mais longo do Muro de Berlim ainda de pé. Imediatamente após a queda do muro, 118 artistas de 21 países começaram a pintar a East Side Gallery, que assumiu oficialmente a função de galeria a céu aberto em setembro de 1990. Cerca de um ano depois, recebeu o status de memorial protegido.

Checkpoint Charlie – O Checkpoint Charlie remonta um dos antigos pontos de travessia (entre Berlim Oriental e Berlim Ocidental) utilizados durante a Guerra Fria. Ele não foi apenas local de “travessia pacífica”, mas também testemunha de inúmeras tentativas de fuga que ocorriam do lado Oriental para o lado Ocidental. Uma exposição ao ar livre conta algumas dessas histórias, umas de falhas e outras de sucesso.

Checkpoint Charlie

Gostou de nos acompanhar nessa viagem histórica? Quer conhecer tudo isso e muito mais pessoalmente? Fale com a gente através do contato@bordejo.com. Nós teremos prazer em te guiar! 🙂

BERLIM

A capital da Alemanha é repleta de marcos importantes para os acontecimentos de toda a humanidade no século XX. É uma cidade que se reconstruiu por diversas vezes e continua em constante transformação. Se você se interessa por história, essa é uma cidade que merece ser adicionada ao seu roteiro. Berlim é repleta de arte, museus e, claro, muita cultura. Por aqui, fazemos diferentes passeios com temáticas distintas, pois a metrópole abrange diversos aspectos a serem explorados.

Nossos Passeios

Todos os nossos passeios podem ser adequados à preferência de cada cliente e podem ser combinados entre eles. Acreditamos em passeios personalizados e exclusivos, de acordo com as necessidades e preferências de cada um. Quer conhecer Berlim e pensa em visitar outras cidades próximas? Você pode aproveitar para conhecer PotsdamDresden e até Hamburgo. Entre em contato conosco e conte sobre suas preferências.

Berlim Imprescindível

Este passeio é focado nas principais atrações do centro turístico e na história da cidade. Visitaremos monumentos relacionados à história da Berlim imperial, o lado mais moderno da cidade, locais que tiveram relação com a Segunda Guerra Mundial, a antiga Alemanha nazista, veremos de perto um trecho do famoso Muro de Berlim que dividiu a cidade por 28 anos, o Portão de Brandemburgo e muito mais.

Berlim Reflexos da Segunda Guerra

Este passeio é focado nas principais atrações da cidade que estão direta e intimamente relacionados à Segunda Guerra Mundial. Visitaremos um bunker que conta a história da ascensão de Hitler e os ideais nazistas da época, veremos de perto um trecho do Muro de Berlim, entenderemos a organização do Partido Nacional Socialista e suas consequências, visitaremos monumentos que homenageiam as vítimas da antiga Alemanha nazista, um antigo ponto de travessia entre a Alemanha Ocidental e Oriental e muito mais.

Berlim como um Berlinense

Conheça Berlim em sua essência! Nesse passeio visitaremos os bairros mais queridos da capital alemã, seus bares típicos e suas comidas tradicionais. A intenção é vivenciar a cidade como um morador local: conheceremos os locais mais hipsters e badalados, os bares frequentados pelos berlinenses e os bairros mais descolados como Neukölln, Friedrichshain e Kreuzberg, que abrangem uma vasta cena gastronômica, artística e muito mais.

Memorial do Campo de Concentração de Sachsenhausen

Em nosso passeio pelo antigo Campo de Concentração entenderemos como funcionava a organização administrativa do campo bem como sua organização hierárquica. Visitaremos também a área de observação dos prisioneiros, o pátio interno onde os trabalhos forçados eram divididos, as barracas onde viviam, a ala da enfermaria que era utilizada tanto para tratamento de doenças como local de experimentos terríveis. A visita termina na estação Z, onde os prisioneiros eram mortos de diferentes formas. Nossa intenção vai além da apresentação do Memorial do Campo de Concentração. Buscamos instigar a reflexão do mais terrível e doloroso acontecimento histórico de todo o século XX.

Compras em Berlim

Em nosso tour das compras te levaremos para o maior shopping da cidade, conheceremos a Kudamm, a principal rua de lojas de luxo de Berlim, a KaDeWe, shopping que conta com diversas marcas famosas e internacionais e muito mais.